Liga Árabe rejeita prisão de Bashir
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segunda-feira, 30 de março de 2009
Marcelo Ninio Enviado especial<br>Folhapress 
Doha, Qatar- Sem esconder as muitas divergências que os separam, os países da Liga Árabe tiveram ontem em Doha um raro momento de consenso ao apoiar o ditador do Sudão, Omar al Bashir, e rejeitar a ordem de prisão emitida contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
A mesma solidariedade será solicitada hoje aos líderes sul-americanos, durante a reunião de cúpula com os países árabes, que ocorrerá também na capital do Qatar. A presença de Bashir em Doha, em desafio à denúncia por crimes contra a humanidade, cria um constrangimento ao Brasil e outros países da região signatários do TPI.
A declaração final da cúpula estabelece um grupo para buscar o indiciamento de responsáveis por crimes de guerra na recente ofensiva israelense em Gaza. Além disso, dá um ultimato, advertindo que a iniciativa de paz árabe de 2002 poderá perder efeito se Israel não se mostrar disposto a negociar.
Recebido em Doha com todas as honras pelo emir do Qatar, Sheik Hamad bin Khalifa al Thani, Bashir teve ontem o apoio que buscava na cúpula anual da Liga Árabe. Seus membros acusam o TPI de parcialidade ao indiciar o Sudão, mas não os autores de supostos crimes cometidos nos territórios palestinos e no Iraque.
O ditador da Síria, Bashar al Assad, deu o tom do apoio a Bashir com o discurso que abriu a cúpula árabe. O que está acontecendo com o Sudão é mais um capítulo dos esforços para enfraquecer os árabes. E mais uma etapa no esforço para destruir o Sudão, disse.
Antes de ganhar a palavra, Bashir passou por um mal-estar, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou com veemência a decisão do Sudão de expulsar 13 organizações humanitárias internacionais da região de Darfur depois da emissão da ordem do TPI.
Bashir é acusado por crimes na região de Darfur, onde a ONU estima que cerca de 300 mil pessoas morreram desde 2003.


