CairoA Liga Árabe pediu ontem que a comunidade internacional insista para que um órgão internacional imparcial se encarregue de investigar os ''reiterados crimes cometidos pelas tropas de ocupação israelenses contra o povo palestino''. ''É preciso que a Liga Árabe manifeste sua extremaindignação e repúdio com os persistentes ataques executados ultimamente pelas tropas israelenses contra alvos civis, ataque nos quais morreram e foram feridos diversos cidadãos e crianças'', declarou o porta-voz do organismo árabe, Hisham Yussef.
''Assim, expressamos nossa rejeição ao silêncio mundial frente à ação do Exército israelense contra o povo palestino'', insistiu o porta-voz.
Yussef minimizou a importância das mostras de pesar de algumas autoridades israelenses e prometeu empreender uma investigação para esclarecer as circunstâncias dos últimos ataques. ''Não se pode levar a sério o que foi dito por alguns membros do Governo israelense, pois eles, ao mesmo tempo, asseguram que continuarão com a política de morte, bombardeio, demolição de casas e deslocamento de civis'', ressaltou Yussef.
Descontentamento militarO ministro israelense da Defesa, Binyamin Ben Eliezer, nomeou ontem uma comissão encarregada de investigar a morte de um número cada vez maior de civis palestinos, o que provocou o ''descontetamento'' de algumas autoridades militares, segundo informou a rádio militar israelense. O informe da comissão, que deve esclarecer a causa de baixas cada vez maiores de civis em operações do Exército israelense e as medidas que devem ser tomadas para evitar isso no futuro, tem que ser apresentado no máximo até sexta-feira.
No domingo, quatro trabalhadores palestinos que voltavam do trabalho num canteiro foram mortos por soldados israelenses numa emboscada nas proximidades de uma colônia israelense em Hebron, no Sul da Cisjordânia. No sábado à noite, quatro crianças palestinas foram mortas durante uma operação para assassinar um rebelde palestino no Norte da Cisjordânia.
Segundo informou ontem a rádio militar israelense, autoridades militares manifestaram seu ''descontentamento'' pela criação da comissão investigadora, avaliando que suas recomendações poderiam limitar a margem de manobra dos comandantes na região.
Por sua vez, a Autoridade Palestina convocou a comunidade internacional a ''parar o derramamento de sangue e o terrorismo do Estado de Israel''. A rádio pública israelense noticiou ontem uma polêmica entre o Exército e o Ministério das Relações Exteriores, que acusa os militares de não lhes dar as informações necessárias ''sobre as circunstâncias da morte de civis palestinos'' a tempo de defender a imagem de Israel no exterior.
O ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu minimizou a importância da morte de civis, declarando à rádio que ''são os terroristas que impõem a guerra e se escondem atrás dos civis''. Respondendo às declarações de Netanyahu, o deputado do Meretz (esquerda) pontuou que há acordo sobre combater o terrorismo, mas ressaltou que também é necessário preservar os valores morais''.

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