Eles acabaram saindo, por volta das 5 horas da manhã, do Palácio em que batalharam durante quatro dias para evitar que a reunião de cúpula dos 15 da União Européia, sob a presidência francesa, fosse um fracasso. E não foi um fracasso.
No entanto, os vencedores tinham um aspecto de quem não está muito bem. Fisionomias abatidas. Olheiras. A cara esbaforida.
Chirac resmungou: uma reunião de cúpula tão longa é realmente demais. Em seguida, ele disse: ‘‘Adotou-se um texto conveniente.’’
Então ele juntou um pouco de entusiasmo: ‘‘É um bom texto!’’ Um pouco mais longe, o alemão Schroeder disse: ‘‘A Alemanha agiu de modo a evitar um conflito com a França.’’
O ministro francês das Relações Européias, Moscovici, fez careta. Mas como ‘‘ele sempre faz careta’’, isso não teve o menor significado, diziam os comentaristas.
Foi assim que terminou a mais longa reunião de cúpula européia, a mais bizarra, a mais complicada. A mais vertiginosa também, pois na tarde de domingo esperava-se a implosão. Por sorte, deu para segurar e a reunião de cúpula foi salva.
Um balanço? Lembremos o que estava em jogo: dentro de alguns anos, a União Européia vai acolher 13 novos Estados (principalmente do Leste europeu) e vai ter, então, 28 membros.
Ora, as instituições da União Européia foram concebidas, anteriormente, por uns seis membros muito próximos uns dos outros (Alemanha, Itália, França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo). É claro que essas velhas ‘‘instituições’’ não poderão pilotar uma União ampliada e que abrigue países de diferentes tamanhos, de mentalidades desiguais e de ‘‘modernidades’’ variadas.
A reunião de cúpula tinha esse objetivo: remodelar as instituições de Bruxelas para que o futuro comboio de 28 países possa seguir sem descarrilar. Duas reformas fundamentais se impunham: modificar o tamanho da Comissão Européia para o dia em que a UE tiver 28 países e abandonar o ‘‘direito de veto’’ ao Conselho Europeu, ‘‘direito’’ de veto que já tem efeitos paralisantes na Europa de 15.
O que acontecerá quando cada um dos 28 países puder paralisar qualquer reforma? Ora, sobre esses dois itens, não houve nenhum verdadeiro acordo. Progressos, mas minúsculos, e a discussão foi adiada. Outro debate visava a reequilibrar os respectivos pesos dos diversos membros da União Européia.
Outro fracasso: a Alemanha, que tem 20 milhões de habitantes a mais que a França, exigiu ter mais votos no Conselho. A França negou, contra a vontade dos outros membros, a petição alemã (mas imaginou um sistema para acalmar Schroeder, um sistema tão complicado que ninguém entende mais nada).
Em seguida, um outro psicodrama: a França, que havia recusado qualquer concessão à Alemanha, convidou os países pequenos a, por sua vez, fazerem concessões, o que deixou os ‘‘pequenos’’ com raiva.
No entanto, um ponto positivo: foram aceitas as ‘‘cooperações reforçadas’’, ou seja, um sistema que permite a alguns países avançar mais rapidamente do que outros (em outras palavras, uma Europa com velocidades múltiplas).

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