Líderes rivais assinam acordo no Timor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de abril de 1999
Associated Press 
Líderes de grupos rebeldes no Timor Leste e funcionários militares e governamentais indonésios assinaram ontem em Dili um acordo de paz apressado, num esforço para conter a escalada da violência. Entretanto, ainda não está claro se os grupos armados vão seguir o acordo.
O acordo chegou apenas alguns dias depois de milicianos contrários à independência do território, controlado pela Indonésia desde 1975, atacarem e queimarem as casas de ativistas pró-independência.
As forças de segurança da Indonésia mantiveram-se fora dos confrontos, que deixou pelo menos 20 pessoas mortas. O Exército armou e treinou algumas milícias civis, alegando que elas atuariam como forças neutras de apoio para a polícia.
A iniciativa para o acordo de ontem veio da polícia local e de comandantes militares e coincidiu com a visita do general Wiranto, o chefe das Forças Armadas da Indonésia. Os grupos separatistas do Timor desconfiam amplamente tanto da polícia quanto dos militares indonésios.
Autoridades católicas, que normalmente desempenham um papel mediador no longo conflito do Timor Leste, disseram que não tinham informações dos detalhes do acordo de paz até o fim da tarde de anteontem.
O bispo Carlos Belo, líder espiritual do Timor, abriu as portas de sua residência para líderes rivais assinarem o acordo. Espera-se que o acordo funcione como uma solução pacífica, e que ocasione o fim da violência.
Entre os participantes da cerimônia, estavam Leandro Isacc, líder do Conselho Nacional para a Resistência Timorense, frente pró-independência, e João Tavares, chefe de uma milícia pró-Indonésia.
Dois líderes do governo local, que se opõem à independência, o governador Abílio Soares e Domingos Soares, membro do governo de Jacarta, assinaram o acordo, que também contou com a assinatura do coronel Tono Suratman, chefe do Exército no Timor Leste.
O líder separatista Xanana Gusmão, em prisão domiciliar, assinou o acordo em Jacarta.


