Os comandantes do Exército, Marinha, Aviação e Polícia Nacional peruanos pediram ontem demissão de seus cargos, após serem duramente questionados por terem assinado uma ata em que declaravam seu apoio ao governo de Alberto Fujimori e ao autogolpe deste em 1992. A ata foi assinada em março de 1999 – o que foi documentado em vídeos do foragido ex-assessor de inteligência Vladimiro Montesinos recentemente divulgados pelo Congresso.
Os comandantes das três Armas sustentam que se trata de documentos ‘‘pífios’’ que não representam nenhum compromisso de honra dos membros da Forças Armadas e policiais, uma vez que foram assinados sob coação. Não obstante, disseram que consideram pertinente colocar seus cargos à disposição do presidente Valentín Paniagua.
‘‘Os comandantes gerais da Força Aérea, Marinha e Exército e o diretor-geral da Polícia Nacional do Peru... oferecem satisfações a toda a cidadania... por todos os fatos que, no passado recente, possam ter comprometido suas instituições em atos alheios ao estrito cumprimento de sua missão constitucional’’, diz o comunicado lido pelo general Pablo Carbone, comandante da Força Aérea.
Além disso, os chefes expressaram sua rejeição e condenação à ruptura da ordem constitucional de 5 de abril de 1992 – quando Fujimori fechou o Congresso e os tribunais de Justiça – e declararam sua absoluta subordinação ao presidente Valentín Paniagua e à Constituição.
Não foi feito nenhum anúncio sobre se o presidente Paniagua aceitará a renúncia dos comandantes Carbone, da Aviação, Víctor Ramos Ormeño, da Marinha, Carlos Tafur, do Exército e do diretor da polícia, Armando Santistevan. Todos eles foram promovidos em novembro, após a posse do governo provisório chefiado por Paniagua, em uma tentativa deste de proceder a uma depuração das fileiras militares.
Neste momento, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, há certo temor sobre uma possível desestabilização no setor militar peruano, que poderia criar condições perigosas para o processo democrático.

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