Líderes elogiam início de acordo
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 1999
France PresseMilitares iugoslavos continuam em prontidãona região de KosovoDPA 
Importantes políticos ocidentais e da Rússia qualificaram ontem as negociações encerradas terça-feira no castelo de Rambouillet, nos arredores de Paris, como o início de um processo de paz entre sérvios e albaneses kosovares. Ao mesmo tempo, lançaram uma advertência às partes em conflito na província sérvia, de maioria étnica albanesa, para que não realizem atos de provocação recíproca até o dia 15 de março, quando se iniciará a segunda fase das negociações, também em Rambouillet.
Os Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU aplaudiram o compromisso com a parte política do acordo, depois que ambas as partes aprovaram a futura autonomia da província.
O ministro do Exterior britânico, Robin Cook, manifestou uma moderada satisfação com os resultados da reunião. Não estamos onde gostaria que estivéssemos. Mas devo dizer que chegamos muito mais longe do que me atreveria a vaticinar no começo desse processo, disse Cook em entrevista à rede britânica BBC. O ministro disse que o decisivo agora é evitar uma escalada na violência na região, ao mesmo tempo que lembrou que sérvios e albaneses sabem que estão sendo vigiados de perto.
Também o ministro do Exterior da Rússia, Igor Ivanov, aplaudiu o resultado da conferência de paz e o qualificou de positivo. Segundo ele, em Rambouillet, foi possível elaborar um documento que abre o caminho para a solução da crise.
Por sua vez, o primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, afirmou que houve avanços na conferência. Para o premier francês, Rambouillet foi apenas o início de um processo que levará à paz na província sérvia. Não devemos ter ilusões, alertou ele.
O presidente russo, Boris Yeltsin, afirmou que as negociações entre sérvios e albaneses produziram resultados significativos, apesar de nenhum acordo concreto entre as duas partes ter sido firmado. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Yakushkin, disse que para a Rússia é muito importante que o conflito de Kosovo se solucione pela via política e a solução deve garantir tanto a autonomia da província sérvia como a soberania da Iugoslávia.
Os albaneses, que integram 90 por cento da população de Kosovo, continuam sem renunciar a um referendo sobre a independência da província. O Exército de Libertação do Kosovo (UCK), organização separatista albanesa, reiterou que estava descartado seu desarmamento.
Por sua vez, Belgrado continua recusando princípio de mobilização de uma força multinacional na zona, julgado indispensável pelo grupo de contato para que se aplique um acordo interino de autonomia.


