Associated Press
O presidente norte-americano Bill Clinton encontrou-se ontem com líderes dos Bálcãs para agradecê-los pelo apoio à campanha aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Iugoslávia e por ajudar os refugiados albaneses étnicos da província sérvia de Kosovo. O presidente Kiro Gligorov, da Macedônia, disse ter aceito ‘‘a necessidade essencial pra a presença dos Estados Unidos’’ nos Bálcãs.
Um acordo entre os líderes da Europa e da Rússia para investir na região está traçado para ‘‘construir um futuro de liberdade e prosperidade’’, disse Clinton. ‘‘Nós devemos criar oportunidades reais para cidadãos comuns ao longo do sudeste europeu’’, declarou.
France PresseÓdio étnicoAcima, sérvios que fugiram da província de Kosovo são atendidos por funcionários da Cruz Vermelha Internacional na Iugoslávia. Ataques contra sérvios na província continuam. Abaixo, família de albaneses étnicos tentam retomar a vida em sua casa destruída pelas forças sérvias na província de Kosovo. Cerca de 180 mil albaneses étnicos já voltaram

Clinton também anunciou o envio de US$ 12 milhões em commodities agrícolas para auxiliar a Macedônia, além dos US$ 72 milhões em ajuda que os Estados Unidos enviaram ao país no ano passado.
A Macedônia, nação de dois milhões de habitantes, abrigou mais de 140 mil refugiados enquanto persistiam os ataques da Otan para expulsar de Kosovo as forças do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
Os macedônios também ofereceram espaço para a Otan enviar sua missão de manutenção de paz assim que se encerraram os 78 dias de guerra aérea, há duas semanas.
Clinton encontrou-se privativamente com o presidente macedônio Kiro Gligorov no parlamento do país. Gligorov disse ter aceito ‘‘a necessidade essencial para a presença dos Estados Unidos da América no sudeste da Europa. As guerras na Bósnia e agora em Kosovo confirmaram isto’’.
Depois Clinton e Gligorov reuniram-se com o presidente albanês Rexheo Meidani e os primeiros-ministros de Albânia e Macedônia para discutir a necessidade de acabar com as tensões étnicas na região, que têm origem em um passado distante.
Meidani prometeu pedir aos albaneses étnicos de Kosovo que ‘‘criem um espírito de tolerância’’, de acordo com um importante funcionário norte-americano que acompanha Clinton.
O presidente montenegrino Milo Djukanovic, que encontrou-se anteontem com Clinton na Eslovênia, disse ter pedido a ele proteção às minorias eslavas como os sérvios de Kosovo, agora que as forças sérvias partiram.
Recebido como herói num campo de refugiados da Macedônia, Clinton pediu aos albaneses étnicos que não tentem vingar-se dos sérvios quando regressarem a seus lares. ‘‘Prometemos transformar Kosovo num lugar seguro, ajudaremos seus habitantes a reconstruir suas vidas e comunidades e, depois faremos o mesmo com os países da região para que tenham um futuro melhor, fundamentado no respeito aos direitos humanos’’, disse Clinton em meio a aplausos e gritos de ‘‘EUA, EUA, EUA’’ pelos cerca de 10 mil refugiados que ainda permanecem no campo de Stenkovec 1, ao norte de Skopje, capital macedônia .
‘‘Ninguém, jamais, deve ser discriminado, torturado ou assassinado por sua etnia ou crença religiosa’’, insistiu Clinton, numa referência à campanha de limpeza étnica da qual o regime de Belgrado é acusado e às recentes tentativas de revanche adotadas pelos rebeldes do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) contra civis sérvios - minoria no território.
O presidente norte-americano estava acompanhado da mulher, Hillary. Apesar da forte chuva e da lama, o casal percorreu algumas barracas, mantendo emocionado diálogo com refugiados que agradeceram os Estados Unidos por ter cumprido a promessa de acabar com a ‘‘campanha de extermínio de kosovares’’.
Clinton defendeu um plano de estabilização dos Bálcãs, cuja prioridade é a reconstrução dos países afetados pelos conflitos. No dia anterior - quando visitava a Eslovênia -, ele havia excluído a Sérvia de qualquer ajuda externa enquanto o presidente Slobodan Milosevic estivesse no poder na Iugoslávia.
O Acnur estima em 180 mil o número de albaneses étnicos que já voltaram a Kosovo. Só na segunda-feira, 37 mil cruzaram postos fronteiriços na Albânia e na Macedônia. Oitocentos mil ainda permanecem em campos nos dois países. Por outro lado, a violência continua contra os sérvios de Kosovo.
Em Obilic, foram encontrados os corpos de seis sérvios que tinham sido sequestrados por rebeldes do ELK. O Centro de Mídia de Pristina divulgou que mais de 140 sérvios e montenegrinos já foram sequestrados por rebeldes albaneses desde que a Otan entrou na província há 12 dias. O bispo ortodoxo de Pec, Filoquio, acusou o ELK de sequestrar e assassinar civis, ocupar hospitais, expulsar pacientes sérvios para pôr albaneses étnicos no lugar e ameaçar médicos e enfermeiros.

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