Washington - Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitou o México em abril, a atual pandemia de gripe A H1N1 ainda era pouco conhecida, inclusive para a Casa Branca. Um auxiliar de Obama voltou doente do encontro. O que poderia tornar-se uma fonte de mal-estar diplomático, porém, abriu caminho para uma maior colaboração entre as nações.
Obama em nenhum momento foi ameaçado pela doença, o assessor e sua família se recuperaram e os países têm cooperado bastante para conter o vírus. Os EUA ganharam pontos com o vizinho do Sul, ao não seguirem a atitude de outros países de interromperem os voos para aeroportos mexicanos, o comércio e outras ações que, para o México, foram injustas e punitivas.
Agora, Obama retorna ao México, com a gripe A H1N1 como uma ameaça bastante monitorada e discutida, para um encontro com o presidente mexicano, Felipe Calderón, e o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, entre ontem e segunda-feira. O trio discutirá em Guadalajara formas de aprofundar a cooperação diante da doença, no momento em que especialistas preveem uma nova onda de casos, durante a esperada temporada de gripe da América do Norte.
John Brennan, principal assessor para segurança interna de Obama, aponta que inevitavelmente haverá mais mortes pela doença. Porém a prioridade agora, aponta ele, é garantir que foi feito todo o possível para minimizar seus danos e ''a continuação do comércio e transporte entre os três países''.
EUA, México e Canadá formam o Acordo de Comércio Livre da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). O fechamento das fronteiras ou a restrição a viagens traria um custo alto para famílias e negócios nas três nações. Além disso, especialistas em saúde dizem que medidas do tipo têm pouca eficácia para conter a doença.
A primeira reunião trilateral do tipo no bloco ocorreu em 2005. Esses eventos em geral não geram grandes anúncios e atraem pouca atenção. Porém funcionários dos três países ressaltam a importância do contato entre os líderes. A lista de assuntos deste quinto encontro é longa. Os vizinhos pedirão a Obama para explicar o rumo da economia norte-americana e devem reclamar sobre a preferência para produtos produzidos no próprio território dos EUA, no pacote de estímulo de US$ 787 bilhões.
A mudança climática é outra prioridade. Também estará presente a crise em Honduras. O presidente Manuel Zelaya foi deposto pelos militares em um golpe, em junho, e agora tenta voltar ao poder. O presidente em exercício do governo interino, Roberto Micheletti, recusa-se a permiti-lo. Hoje estão programados encontros mais formais. Também devem ser discutidos a imigração de mexicanos, muitos deles ilegais, e o problema do narcotráfico na região fronteiriça entre o México e os EUA. As informações são da Associated Press.

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