A geometria de poder da Europa para o século XXI está cada vez mais difícil de ser negociada. Os 15 chefes de Estado da União Européia (UE) não conseguiram, até o começo da noite de ontem, fechar um acordo que estabeleceria o novo peso de cada país no continente.
A Cúpula de Nice, que marca o fim da presidência francesa do bloco, foi convocada com o objetivo de reformar as instituições da UE, preparando o continente para a ampliação aos países do leste europeu a partir de 2003.
Para que a ampliação ocorra, porém, modificações substanciais na estrutura do bloco deveriam ser aprovadas em Nice. ‘‘Isso permitiria que as instituições, como a Comissão, o Conselho e o Parlamento Europeu continuassem a funcionar sem perder a eficácia, mesmo com 27 membros, e não apenas 15’’, afirma o comissário (espécie de ministro) das Reformas Institucionais da UE, Michael Berni.
Os países pequenos acusam Itália, França, Alemanha e Grã-Bretanha de estarem aproveitando a reforma para a ampliar seu poder no continente.
Enquanto essas economias centrais propõem triplicar seus votos no bloco, sugerem que os países menores, como Portugal, Finlândia, Dinamarca e Irlanda, apenas dupliquem sua peso nas decisões do continente.
Os países principais temem que, com a entrada de pelos menos mais sete países no bloco nos próximos dez anos, o poder de impor seus interesses seja cada vez menor. Do lado dos países menores, o temor é que fiquem cada vez mais excluídos das decisões que afetam suas populações.
Além do conflito entre os pequenos e grandes países, outro obstáculo tem sido a insistência dos alemães que querem mais votos que a Franca, Itália e Grã-Bretanha. Pela proposta francesa, cada um desses países teriam 30 votos.
Berlim justifica que possui 30 milhões de habitantes a mais que esses três países e que, de acordo com o princípio da democracia, o povo alemão não estaria representado de forma justa.

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