Tegucigalpa - Enquanto a maioria dos líderes mundiais condenou nesta segunda-feira o golpe militar em Honduras, o político designado para governar o país fez um apelo para a resistência contra as pressões internacionais que tentam reinstalar no cargo o presidente deposto, Manuel Zelaya. Manifestantes queimaram pneus em frente ao palácio presidencial em Tegucigalpa e entraram em choque com a polícia, que no final da tarde usou gás lacrimogêneo para dispersar as cerca de três mil pessoas que protestavam.
  Cresceu a pressão internacional contra o golpe militar desfechado na manhã do domingo. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o golpe foi ‘‘ilegal’’ e que Manuel Zelaya permanece como presidente de Honduras.
Segundo Obama, o golpe militar em Honduras, o primeiro na América Central em dezesseis anos, abre um ‘‘precedente terrível’’.
  ‘‘A região teve um progresso enorme nos últimos vinte anos ao estabelecer tradições democráticas. Nós não queremos voltar a um passado de trevas’’, disse Obama.
  Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que está ‘‘pronto para apoiar a rebelião do povo de Honduras’’, declarou na Nicarágua sem dar maiores detalhes.
  ‘‘Aqui não houve golpe de Estado porque os hondurenhos seguem regidos pela Constituição, à qual o governo anterior quis reformar sem nenhum fundamento’’ disse o presidente designado de Honduras, Roberto Micheletti, à emissora da rádio HRN.
  Os Estados Unidos acreditam que a situação em Honduras ‘‘levou a um golpe’’, como disse a secretária de Estado do governo americano, Hillary Clinton. Governos de América Latina e Europa condenaram a derrubada do presidente   Zelaya e pediram que o conflito no país centro-americano seja resolvido pela via democrática. Zelaya queria modificar a Constituição para permitir a reeleição de políticos aos cargos. A Suprema Corte, apoiada pelo exército e os empresários, foi contra e entrou em conflito com Zelaya.
  Cerca de três mil simpatizantes de Zelaya se concentraram nesta segunda-feira frente ao palácio presidencial e gritaram: ‘‘Micheletti traidor’’ e pediram a volta do presidente derrubado.
  A manifestação era formada por trabalhadores, taxistas, camponeses e indígenas. Micheletti entrou na casa presidencial por uma porta lateral e os manifestantes não perceberam. Logo em seguida, recebeu o juramento do gabinete de governo.
  Guatemala, El Salvador e Nicarágua suspenderam ontem o comércio terrestre com Honduras, em rechaço ao golpe de Estado contra o presidente hondurenho Manuel Zelaya. As informações são da Associated press.

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