O mundo árabe se solidarizou com rara rapidez com os Estados Unidos depois dos ataques de terça-feira, e se dispôs a colaborar na luta contra o terrorismo, mas agora começam a se levantar no Oriente Médio vozes que pedem primeiro uma clara e conjunta definição sobre ''terrorismo'' que não se choque com a ''luta de libertação'' palestina.
Foi claro nesse sentido o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que se mostrou contrário a uma coalizão que não seja formada sob os auspícios da ONU: ''Não se deve formar uma coalizão que junte apenas um certo número de países, porque não permitiria uma ação coletiva e decidida''.
Mais explícito foi o semanário al-Moussawar, considerado próximo à presidência egípcia, segundo o qual ''antes de qualquer coalizão, tem de haver uma definição clara de 'terrorismo' que não confunda grupos terroristas com movimentos de resistência à ocupação (israelense), como (os palestinos) Jihad Islâmica, Hamas ou o (libanês) Hezbollah''.
Israel, obviamente, não pensa da mesma forma. O primeiro-ministro Ariel Sharon, informando que os Estados Unidos convidaram o Estado judeu a participar da coalizão, disse que se Estados árabes como a Síria quiserem unir-se, Washington exigirá primeiro a expulsão de seus territórios de ''organizações extremistas'' que estão alí ''há muito tempo''.
A Síria, por seu lado, considera que ''o mundo que se apressa a combater o terrorismo tem de recordar que Israel pratica terrorismo em alto estilo'' contra os palestinos, escreveu o diário oficial Tishrin. Lembrando que até o dia dos atentados a hostilidade contra os Estados Unidos crescia continuamente no mundo árabe, que acusa Washington de apoiar incondicionalmente Israel, o diário libanês L'Orient le Jour escreveu que também no Golfo Pérsico a disposição em ajudar os americanos pode ser diferente da que existiu na guerra contra o Iraque, em 1991. ''Porque naquela época se tratava de recuperar a soberania de um país (Kuwait). Hoje, os árabes não podem tomar parte de uma coalizão cujos objetivos não são claros, e entre os quais Israel tenta incluir a luta contra organizações palestinas'' que combatem a ocupação de suas terras.
Na moderada Jordânia, o rei Abdullah disse que é ''fundamental'', para erradicar o terrorismo, resolver as grandes crises regionais, sobretudo a israelense-palestina''. Entretanto, em seu país, a Frente de Ação Islâmica, o maior partido político jordaniano, sempre na oposição, emitiu um edito religioso (fatwa) proibindo os países muçulmanos a atenderem aos chamados americanos e apoiar um provável ataque contra o Afeganistão.

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