Líder zapatista insiste em falar ao Congresso
A guerrilha zapatista rejeitou na noite de terça-feira a proposta para reunir-se com um grupo reduzido de legisladores e o subcomandante Marcos exige falar ao plenário do Congresso, revelou o próprio líder guerrilheiro.
A proposta (entregue por um grupo de legisladores na véspera) é ridícula e reflete a vitória dos setores mais duros do Congresso, aqueles que pretendem torpedear o processo de diálogo antes do início, disse Marcos à imprensa.
Segundo Marcos, o perfil da proposta é muito baixo, inadmissível, humilhante. O Exército Zapatista de Libertação Nacional exige falar ao plenário do Congresso da União.
O subcomandante Marcos e os outros 24 líderes da guerrilha zapatista chegaram à Cidade do México no domingo passado, após duas semanas de uma caravana que percorreu três mil quilômetros com o objetivo de promover a aprovação da lei sobre Direitos e Cultura Indígenas.
A recusa é considerada um desafio ao parlamento e ao governo mexicanos, o que aumenta a tensão já existente com os dois poderes.
É um desafio para levar o governo a um limite, um jogo perigoso onde o que mais importa é o espetáculo, disse à AFP ontem o antropólogo social Roger Bartra, doutorado pela Universidade de Paris, ao comentar o fracasso da primeira reunião entre guerrilha e parlamentares em vários anos.
No auge de sua popularidade após sua entrada triunfal domingo, no coração da capital mexicana, o rebelde encapuzado se projetou a si mesmo como uma espécie de redentor dos 10 milhões de índios.
O conflito de Chiapas, esquecido pelo governo anterior, ressurgiu quando o presidente Vicente Fox enviou o projeto de lei indígena ao congresso, ao assumir o governo em dezembro, e decretou medidas de distensão militar na área de conflito, as quais Marcos ainda não reconhece como gestos de paz.
Marcos afirmou terça-feira à noite que Fox continuará, ou não, a guerra contra nós dependendo do resultado do trâmite legislativo.
De bom humor, o presidente Fox voltou a insistir em se reunir cara a cara com Marcos, e em entrevista no canal MVS TV terça-feira, minutos depois da contundente recusa de Marcos à oferta legislativa, o presidente ironizou as atitudes do rebelde. Que diria primeiro a Marcos?, perguntaram os jornalistas: Olá. O que fumas?, respondeu Fox, sugerindo algo diferente do tabaco. E diante dos risos, o presidente precisou qual marca de tabaco fumas?.





