Líder taleban diz que não teme os EUA
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Antonio Rodríguez<br> France Presse<br> De Cabul e Islamabad 
O líder taleban, mulá Mohammad Omar, advertiu os Estados Unidos, ontem, que terão a mesma sorte que a antiga União Soviética se atacarem o Afeganistão. Mesmo com toda essa firmeza, surgiam notícias de possíveis deserções nas fileiras da milícia islâmica.
''Se houver uma intervenção no Afeganistão, não haverá diferença entre Rússia e Estados Unidos'', afirmou Omar, através de um comunicado divulgado pela agência de notícias AIP, ligada ao taleban. A invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979, resultou em uma derrota humilhante para Moscou.
O líder da milícia islâmica que detém o poder em Cabul também desacreditou a oposição armada e os afegãos que tentam retomar o poder com o apoio dos Estados Unidos. ''O status dos afegãos que querem voltar ao poder no Afeganistão com a ajuda das forças norte-americanas é o mesmo dos afegãos que quiseram tomar o poder com o apoio da Rússia'', disse.
As advertências de Omar coincidem com informações de que os Estados Unidos não lançarão um ataque em massa contra o Afeganistão, e sim tentarão derrotar o taleban desde o interior. Responsáveis americanos fizeram contato com a Aliança do Norte, oposição armada ao taleban, e com o ex-rei Mohammed Zaher Shah, deposto em 1973.
A mensagem de Omar acontece ao mesmo tempo em que são noticiadas deserções nas fileiras do taleban, o que não foi confirmado. Segundo fontes afegãs em Peshawar (Noroeste do Paquistão), comandantes aliados ao regime de Cabul nas regiões de Paktia, Nangahar, Laghman e Kunar, ao leste e ao sul da capital, começam a dar as costas ao taleban, devido às ameaças norte-americanas e à situação econômica ruim. De acordo com um executivo afegão que trabalha no Paquistão mas afirma manter contato com três comandantes em Kunar e Nangahar, o controle do taleban diminuiu em vários distritos da região, principalmente nas áreas rurais, onde está menos presente. ''Em Kunar, por exemplo, vários comandantes não ganham dinheiro com o comércio de madeira desde que as fronteiras foram fechadas'', afirmou outra fonte.
A situação parecia tranquila ontem, na frente de batalha. ''Não há combates em Cabul, nem no Norte'', informou Mohammad Habeel, porta-voz da Aliança do Norte. Outro líder da aliança, o general uzbeque Abdul Rashid Dostam, desmentiu as informações que davam conta da sua morte.


