São Paulo - Após sofrer críticas à sua proximidade com os EUA, o governo interino iraquiano, que assume no dia 30, recebeu ontem um importante apoio. Um porta-voz do clérigo xiita Moqtada al Sadr, o mais forte opositor da ocupação no Iraque, disse que o líder radical ''endossa o novo governo''.
A declaração de Sheik Jabir al Khafaji, assessor jurídico de Al Sadr, durante o sermão semanal em Kufa (sul), marca uma reversão do discurso do clérigo que, após a nomeação do governo, no início do mês, afirmou que se tratava de ''fantoche'' dos EUA.
Segundo Al Khafaji, Al Sadr agora ''aprova o novo governo interino'' e pede aos novos líderes que fixem um cronograma para a retirada das forças de ocupação. Pela resolução sobre o Iraque recém-aprovada pela ONU, a ocupação termina oficialmente em 30 de junho, mas forças de segurança multinacionais comandadas pelos EUA permanecerão no país, sob anuência do governo iraquiano, até a posse do governo eleito, prevista para janeiro de 2006.
O porta-voz também exortou os seguidores de Al Sadr, membros do Exército Mehdi, a ''obedecerem às ordens do líder supremo'' e ''agradecerem a Deus o triunfo recebido''. Aparentemente, tratou-se de um pedido para respeitar o cessar-fogo negociado por assessores do clérigo com o comando dos EUA no início do mês.
Entretanto o sermão não evitou que a violência continuasse no sul do país. Em Najaf, vizinha a Kufa e considerada sagrada pelos xiitas, seguidores de Al Sadr confrontaram centenas de manifestantes que protestavam contra o rompimento do cessar-fogo. O templo do imã Ali, o mais sagrado do xiismo, teve de ser esvaziado e fechado como precaução.
Em Yusufiya, dez homens armados invadiram uma delegacia, no quarto ataque contra a polícia iraquiana em menos de duas semanas. Os policiais fugiram, e as forças dos EUA só chegaram ao local cinco horas após o episódio.
Também ontem a Holanda anunciou que estenderá a estada de seus 1.400 soldados no Iraque, prevista para terminar em janeiro, até março de 2005.

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