O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, garantiu ontem a vitória de seu partido nas eleições legislativas de amanhã e domingo, e pediu ao presidente Robert Mugabe que aceite uma ‘‘saída digna’’.
Não obstante, Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MCD) deixou a porta aberta para a formação de um eventual governo de unidade nacional.
Tsvangirai desmentiu também para a imprensa ter sido sondado pelo partido ZANU-PF, no poder, para formar um goveno que reúna a oposição e o regime. ‘‘O que nos preocupa é a estabilidade deste país depois das eleições, e para isso todas as opções têm que ficar abertas’’, disse.
Um membro do MDC foi morto ontem por membros do partido ZANU-PF a 300 km de Harare, a capital, segundo a oposição. Com isso, eleva-se a pelo menos 32 o número de mortos por violências no Zimbábue desde fevereiro.
Para Tsvangirai, ‘‘a violência continua e as condições da votação não podem jamais ser consideradas como ‘‘livres e honestas’’. Mugabe (76 anos), cujo mandato expira em 2002, ‘‘não poderá continuar dirigindo esse país se o MDC conseguir a maioria, disse à imprensa o líder do MDC.
O chefe da polícia, Augustine Chihuri, advertiu os observadores estrangeiros para que respeitem as leis do país, senão correm o risco de serem detidos até o final da eleição.
Tsvangirai acusou o ZANU-PF de ter começado ‘‘um reino do terror’’ e que o governo estava decidido a se ‘‘aferrar ao poder’’. ‘‘Acredito que 70% da população do país queira uma mudança’’, concluiu.
Mais de cinco milhões de eleitores zimbabuenses participarão este final de semana nas eleições legislativas.
O Parlamento zimbabuense é unicameral e está integrado por 150 deputados, dos quais 30 designados pelo presidente. O ZANU-PF precisa conseguir 46 das 120 cadeiras para ter a maioria. A oposição, por sua vez, tem que conseguir 76 cadeiras para controlar a câmara.

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