Líder de Taiwan quer cúpula com a China
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terça-feira, 20 de junho de 2000
Associated Press De Taipé 
Inspirado pela histórica conversação entre as duas Coréias, o novo líder de Taiwan fez ontem seu mais forte apelo até agora à China para realizar com ele uma reunião de cúpula a fim de discutirem disputas que têm separado os dois lados por cinco décadas.
Em sua primeira entrevista coletiva desde sua posse um mês atrás, o presidente Chen Shui-bian afirmou que esta é uma era de reconciliação e que momento é propício para a primeira cúpula entre os rivais que se dividiram em meio a uma guerra civil em 1949.
Temos um monte de tendências internacionais por trás de nós, disse Chen, um ex-prefeito de Taipé e ativista da democracia.
O presidente afirmou que pendurou em seu quarto de estudos a foto do presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, apertando a mão do líder norte-coreano, Kim Jong-il, durante o encontro deles na semana passada em Pyongyang.
Os coreanos deram um histórico passo à frente, disse Chen. Nós também podemos promover mudanças e fazer história.
Desde sua grande vitória eleitoral em março, Chen tem trabalhado duro para aliviar as tensas relações com Pequim e tem repetidamente pedido ao presidente chinês, Jiang Zemin, para se reunir com ele em qualquer local para discutir qualquer questão.
Até agora, uma antiga disputa sobre o status político de Taiwan tem bloqueado as conversações. Pequim insiste que Chen tem de concordar que Taiwan é parte inseparável da China, uma posição conhecida como o princípio de uma China.
Ontem, Pequim repetiu sua exigência.
Queremos sinceramente ter diálogo com o lado taiuanês. Temos feito todo o possível, disse a repórteres o porta-voz do Ministério do Exterior, Zhu Bangzao. Esse princípio de uma China é a base e precondição para se alcançar uma reunificação pacífica, e não iremos abrir mão desta questão maior de certo e errado.
Chen tem se recusado a aceitar qualquer precondição para as conversações, mas tem dito que se disporia a colocar o princípio de uma China no topo de qualquer agenda de reunião.
Nesta terça-feira, Chen destacou que os dois lados nas conversações coreanas realizadas de 13 a 15 de junho não estabeleceram precondições para o encontro, e pediu a Pequim para ser mais flexível e aceitar o início do diálogo.
Boa vontade e sinceridade de apenas um dos lados não é suficiente, disse Chen.
Na semana passada, Chen afirmou a membros visitantes de um think tank americano que ele queria que os Estados Unidos desempenhassem um papel maior para aproximar Taipé e Pequim. Os EUA têm sido o amigo mais próximo de Taiwan e, acredita-se, seu provável protetor caso Pequim cumpra repetidas ameaças de invasão.
Ontem, Chen ele elogiou o presidente Bill Clinton por lembrar nos últimos meses a Pequim que Taiwan é uma democracia e que Chen tem de considerar a vontade pública antes de tomar decisões cruciais.
A maioria dos taiuaneses se opõe à independência por temer que a China, obcecada com seu objetivo de reunificar a nação, iria atacar a ilha, cerca de 130 km de sua costa leste. Mas pesquisas também mostram que a maioria dos taiuaneses é contra a reunificação com a China enquanto ela seja governada por um governo opressivo.
Chen já foi um defensor aberto da independência, mas amenizou enormemente sua posição durante a campanha presidencial, dizendo que só iria permitir que o povo de Taiwan votasse sobre a questão se a China atacasse.
Durante a campanha, líderes chineses deixaram claro que não confiavam em Chen e queriam que ele perdesse a disputa. Depois de sua vitória, eles afirmaram que iriam permanecer um tempo não determinado ouvindo suas palavras e observando suas ações.
Um pesquisa divulgada ontem pelo canal de notícias a cabo TVBS mostrou que 77% dos entrevistados estavam satisfeitos com Chen em seus cinco meses no cargo.


