Dois turistas estrangeiros, que se encontravam entre os 21 reféns mantidos pelos extremistas muçulmanos nas colinas do sudeste das ilhas Filipinas, conseguiram escapar na quarta-feira, de acordo com notícias veiculadas ontem por uma rádio local. No momento em que saíam à procura dos fugitivos, os rebeldes foram cercados por tropas, e o comandante da guerrilha foi morto. Membros do exército não confirmaram a fuga nem a morte.
Yuda Lim, responsável pela secretaria de saúde da região onde estão detidos os prisioneiros – nove malaios, três alemãs, um casal francês, dois finlandeses, um casal sul-africano, uma libanesea e dois filipinos –, partiu ontem em uma missão junto aos sequestradores da ilha de Jolo.
A médica declarou que pedirá aos rebeldes que libertem todos os doentes para que possam ser hospitalizados. ‘‘Uma das vítimas sofre de uma enfermidade cardiopulmonar. O refém poderá morrer se não receber tratamento apropriado’’, afirmou Lim.
Outro médico da administração que na segunda-feira passada pôde ver os reféns declarou que um alemão e um francês deveriam ser imediatamente levados para o hospital local.
Em Manila, um porta-voz militar anunciou que Galib Mujid, um dos chefes do grupo dos rebeldes de Abu Sayyaf que sequestrou os reféns, morreu ontem, durante um enfrentamento com os soldados.
Segundo o coronel Rafael Romero, as forças governamentais dispararam depois que os rebeldes quiseram forçar uma barreira das tropas mobilizadas em torno de seu acampamento na selva do Sul da ilha de Jolo.
Os primeiros disparos ocorreram na terça-feira e forçaram os guerrilheiros a se deslocar cerca de um quilômetro de seu primeiro acampamento, segundo o secretário da Defesa, Orlando Mercado. O negociador do governo filipino, Nur Misuari, ameaçou ontem renunciar se o exército não interromper suas operações.
Os rebeldes anunciaram anteontem que dois reféns estrangeiros morreram durante um combate na terça-feira passada com o exército, mas as autoridades filipinas desmentiram.
A notícia aumentou a pressão diplomática dos países das respectivas nacionalidades dos reféns. Em Jolo, os serviços de inteligência suspeitam que os rebeldes do grupo Abu Sayyaf querem se apoderar de jornalistas estrangeiros e cometer atentados para dissuadir o exército de efetuar operações contra seu grupo.
O diretor da polícia da província, Candido Casimoro, informou que foram tomadas medidas para reforçar a segurança no Sul da ilha de Jolo. Também foram tomadas medidas extras nas instalações militares das ilhas Sulu (onde se encontra Jolo), nas emissoras de rádio e televisão e também nos postos de gasolina.
Os rebeldes dividiram os cativos em cinco grupos. Mercado disse, baseando-se em informações militares, que o líder do grupo extremista muçulmano, Mujib Susukan, e três de seus homens, ficaram cada um com quatro reféns, enquanto outro grupo guerrilheiro ficou com cinco. O chefe da polícia local, superintendente Candido Casimiro, disse que o grupo Abu Sayyaf está ‘‘tentando dividir a atenção dos militares’’.

mockup