Líder assegura democracia ao Paquistão
Associated Press,
De Islamabad
O líder do regime militar paquistanês, general Pervez Musharraf, garantiu ontem que o Exército não se perpetuará no poder no país, prometendo restabelecer os princípios democráticos - rompidos na terça-feira, com o golpe de Estado que derrubou o primeiro-ministro constitucional, Nawaz Sharif. Numa reunião extraordinária convocada para hoje, a Comunidade Britânica de Nações (Commonwealth, que reúne 54 países) deve suspender o Paquistão da entidade por causa do golpe, disse ontem, em entrevista à Rádio BBC, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Robin Cook.
Num pronunciamento transmitido pela TV, Musharraf anunciou a redução do número de tropas paquistanesas na fronteira com a arqui-rival Índia e a criação de um Conselho de Segurança Nacional, integrado por militares e tecnocratas civis, para assessorar seu governo.
Apesar da promessa de instaurar a verdadeira democracia, Musharraf acrescentou que os militares ficarão no poder pelo tempo que for necessário, evitando estabelecer prazos. Não permitirei que imponham outra vez ao povo a era da democracia falsa, disse o general. É a democracia verdadeira que eu prometo.
O discurso de ontem foi a primeira aparição pública de Musharraf desde que anunciara a deposição de Sharif, horas depois do golpe. Inicialmente, o pronunciamento estava marcado para o sábado, mas foi adiado por um dia para que o regime fizesse os últimos acertos na formação do conselho que vai assessorá-lo politicamente.
Ele será integrado por um restrito grupo de seis membros, entre comandantes militares e especialistas civis das áreas de política nacional, política internacional e justiça. Musharraf não anunciou nomes dos integrantes do conselho, limitando-se a informar que o círculo de poder seria formado por pessoas competentes.
Veterano de duas guerras contra a Índia, Musharraf emitiu sinais de de distensão ao país vizinho - cujos comandantes militares manifestaram preocupação após a deposição de Sharaf -, ordenando a redução de tropas na fronteira.
Duas mais novas potências nucleares do planeta, Índia e Paquistão disputam há meio século a soberania da Província da Caxemira. De acordo com a maioria dos analistas políticos, o recuo militar do Exército paquistanês na região, em julho - forçado pela pressão política de potências estrangeiras, como os EUA e a Grã-Bretanha -, foi o principal motivo da irritação dos comandantes das Forças Armadas em relação a Sharif. Indianos e paquistaneses devemos exercer políticas de restrição (militar) com responsabilidade, afirmou Musharraf.
Para o chanceler britânico Robin Cook, o golpe no Paquistão quebrou as normas da Commonwealth que são muito claras: todos os membros devem submeter-se aos princípios democráticos e garantir o respeito aos direitos humanos.
Como primeira consequência da suspensão, os representantes paquistaneses estarão proibidos de participar da reunião de chefes de Estado da comunidade, em novembro, na África do Sul.Em pronunciamento ontem pela TV general golpista afirmou que o governo militar no país será transitório
France PresseMusharraf, ao centro, aproveitou a aparição pública para anunciar a criação de um Conselho de Segurança Nacional, integrado por militares e tecnocratas civis, para assessorá-lo políticamente





