ROMA - O líder do principal partido secular de oposição da Argélia, Hocine Ait Ahmed, lançou ontem um apelo ao presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para que ele nomeie um mediador especial a fim de ajudar a por fim à onda de violência que atinge o país africano. Falando à imprensa em Roma, Ahmed afirmou que a violência praticada pelos grupos islâmicos fundamentalistas chegou a um nível insuportável e a Argélia ameaça ser tomada por um caos semelhante ao que ocorreu na Somália.
Em duas semanas de atentados à bomba e massacres em cidades e aldeias, os integristas islâmicos já mataram mais de 160 pessoas e deixaram pelo menos 200 feridas, segundo as autoridades argelinas. Ontem, um carro-bomba que explodiu na cidade de Blida matou oito pessoas e feriu 10. A campanha terrorista dos fundamentalistas foi intensificada nos últimos 15 dias por causa do Ramadã, mês do jejum muçulmano a pretexto de ‘‘uma guerra santa’’.

Ahmed acusa a
França de não
tentar ajudar
os argelinos


Ahmed acusou a França, ex-poder colonial na Argélia, de ficar inativa e não tentar nenhuma solução política, condenando os argelinos com sua indeferença. ‘‘Queremos quebrar esse muro de silêncio, queremos que esse Muro de Berlim que está sendo construído dentro das fronteiras da Argélia seja destruído’’, declarou ele. ‘‘Uma das iniciativas que esperamos é que o presidente Clinton tome uma medida semelhante a que tomou no Oriente Médio’’, disse.
Os fundamentalistas argelinos, que combatem o governo de 1992, são contra qualquer interferência estrangeira no país, principalmente ocidental e da França, ex-metrópole. A guerra civil começou quando uma junta militar anulou as eleições gerais de 1991 que teriam dado vitória aos partidos fundamentalistas. Desde então, cerca de 60 mil pessoas, entre extremistas, soldados do governo e civis, morreram na violência política e terrorista. Com o desmantelamento da Frente da Salvação Islâmica, principal grupo combatente em 1992, a guerra contra o governo é atualmente movida pelo mais sangrento grupo guerrilheiro, o Grupo Armado Islâmico (GIA).

mockup