Líder árabe é mantido vivo por meio de aparelhos
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Folhapress 
São Paulo- O líder palestino Iasser Arafat, 75 anos, internado na França desde o último dia 29, sofreu uma hemorragia cerebral e é mantido vivo por meio de aparelhos. Apesar da gravidade de seu estado de saúde, o ministro palestino das Relações Exteriores, Nabil Shaath, descartou ontem possibilidade de realizar-se uma ''eutanásia'' (o procedimento não é legalizado na França) e disse que ''só Deus sabe até quando (Arafat) sobreviverá''.
Após encontro com o presidente francês, Jacques Chirac, e depois de ter visitado Arafat no hospital militar Percy, em Clamart, sudoeste de Paris, Shaath disse que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) não tem câncer nem teve seu sangue envenenado. Nenhum diagnóstico a respeito da doença de Arafat foi determinado.
''Nós não temos um entendimento completo sobre a razão do estado dele ter se deteriorado, o que significa que nós não temos um diagnóstico completo''.
Shaath disse que o longo período em que Arafat esteve confinado na Mukata (seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia) contribuiu para a deterioração da saúde dele.
Ontem, Shaath, o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmoud Abbas (mais conhecido por Abu Mazen), o primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, o presidente do Conselho Legislativo Palestino (Parlamento), Rauhi Fatuh chegaram à França depois de quase terem adiado a visita.
Suha, mulher da Arafat, chegou a afirmar que a visita da cúpula palestina era um ato de ''conspiração'' e que eles (os membros do governo palestino) queriam ''enterrar Arafat para assumir mais rapidamente o controle da ANP''. Shaath disse, na entrevista, que Suha ''tem passado por dias difíceis''. Mais cedo, um porta-voz do hospital disse que o estado de saúde de Arafat piorou muito e que ele se encontra em estado de coma profundo e em uma ''situação difícil''.
O possível enterro de Arafat também causa polêmica. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, já disse que enquanto ele estiver no poder de Israel, o líder palestino não poderá ser enterrado em Jerusalém como deseja Arafat. Ontem, o secretário da presidência da ANP, Tayeb Abdelrahim, disse que Arafat será enterrado na Mukata, onde o presidente da ANP ficou confinado por quase três anos, vigiado pelo Exército de Israel.


