Líbia rejeita ordem de prisão contra Kadafi
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
Das Agências 
Tripoli - A Líbia preferiu ignorar ontem a autoridade do Tribunal Penal Internacional (TPI) com sede em Haia, considerando o mandado de prisão emitido por essa corte contra Muamar Kadafi uma estratégia da Otan'' para alcançar o dirigente líbio.
''A Líbia não aceita as decisões do TPI, uma ferramenta do mundo Ocidental para julgar líderes do Terceiro Mundo'', afirmou o ministro da Justiça, Mohammed Al-Qamoodi, em entrevista, em Trípoli. Lembrou que seu país não assinou o Tratado de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, pelo que ''não aceita sua jurisdição''.
O mandado do TPI é dirigido a Kadhafi, a seu filho Saif Al-Islam e ao chefe do serviço de inteligência Abdallah Al-Senussi, por acusações de crimes contra a humanidade.
O líder da revolução e seu filho não ocupam nenhuma posição oficial no governo líbio e, portanto, não têm nenhum vínculo com as acusações do Tribunal contra eles, acrescentou o ministro. O vice-ministro líbio das Relações Exteriores, Jaled Kaim, denunciou, por sua vez, ''um tribunal político'' a serviço da política externa europeia.
Promotores do tribunal alegam que os três estiveram envolvidos na morte de manifestantes que se revoltaram em fevereiro contra o governo Kadhafi, no poder há 41 anos. A decisão dos juízes foi divulgada durante uma audiência pública em Haia. Eles afirmaram que a Promotoria apresentou provas suficientes para a emissão da ordem de prisão contra Kadafi e seus parentes por orquestrar assassinato, ataques, prisão e detenção de centenas de civis durante os primeiros 12 dias da revolta popular contra seu regime.
O mandado torna Kadafi, Seif e Sanoussi em suspeitos procurados internacionalmente, mas sua prisão só pode ocorrer em países que assinaram o tratado reconhecendo o TPI. A revolta na Líbia provocou cerca de 15 mil mortes, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A violência forçou ainda a fuga de quase 650 mil líbios para os países vizinhos e o deslocamento dentro do país de outros 243 mil, também de acordo com a ONU.
A ONU chegou a aprovar uma resolução para a intervenção militar estrangeira no país, para impedir a violenta repressão das forças de Kadafi. Mas exatos cem dias depois dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), não há nenhum sinal de que o conflito chega ao fim.
Antes da leitura do mandado, o porta-voz do regime líbio, Moussa Ibrahim, questionou a autoridade do tribunal de Haia. Segundo Ibrahim, o TPI tem injustamente julgado africanos, enquanto ignora os crimes cometidos pela Otan no Afeganistão, Iraque e na própria Líbia.


