Líbia condena à morte médico e enfermeiras
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
France Presse 
Trípoli, Líbia - A Justiça líbia condenou à morte ontem cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino acusados de terem inoculado deliberadamente o vírus da Aids em crianças internadas num hospital líbio. Os seis acusados estão presos há sete anos.
Seus advogados anunciaram que vão recorrer à Corte Suprema, uma decisão muito esperada no seio da comunidade internacional, sobretudo na União Européia (UE), que reclama a libertação dos acusados, a quem considera inocentes. Ao ouvir a sentença, na sala do tribunal de Trípoli, os condenados começaram a chorar e saíram da sala.
Fora do tribunal, as famílias de algumas das 426 crianças atingidas pela Aids, das quais 53 faleceram, receberam o veredicto dançando e cantando. Segundo uma das famílias, o 53º morto, um menino de 8 anos, Nouri al-Orfi, morreu ontem. O processo não é eqüitativo, pois não considera os informes internacionais e a opinião dos especialistas sobre a aparição e a propagação do vírus no hospital, declarou Evan Paneff, presente na audiência em nome da organização Advogados sem Fronteiras, da França.
Os acusados foram condenados à morte em maio de 2004, mas a Suprema Corte líbia ordenou um novo processo que começou em maio de 2006. Exibindo retratos das crianças doentes ou mortas pela Aids, vários parentes se reuniram nas primeiras horas do dia diante do tribunal. Por que eu?, questiona um dos cartazes com a foto de uma das crianças vitimadas. Não estou à venda ou Poderei viver muito tempo?, diziam outros cartazes.
Ao chegar ao tribunal, cercado pelas forças de segurança que tentavam impedir a entrada dos familiares, o advogado dos acusados, Othmane al-Bizanti, foi agredido. A polícia se viu obrigada a dar tiros para o ar.
Na última audiência, em 4 de novembro, os acusados, presos desde fevereiro de 1999, clamaram mais uma vez sua inocência e expressaram sua solidariedade para com as famílias das vítimas, tal como fez a Bulgária.
A defesa pediu que fosse incluído no expediente o fato de que os acusados foram torturados e um informe de especialistas que atribuem a propagação da epidemia às precárias condições de higiene do hospital de Benghazi.
Durante a audiência de 31 de outubro, o advogado do médico palestino Ashraf Ahmad Juma havia explicado que vários líbios procuravam tratamento médico no exterior por causa das péssimas condições de higiene nos hospitais do país. Por sua vez, a comunidade científica concluiu que a aparição do vírus ocorreu em 1997, antes dos seis profissionais estrangeiros chegarem à Líbia.
Vários países, entre eles a França e os Estados Unidos, tentam há meses obter a libertação dos acusados. Em dezembro de 2005, a Bulgária, a UE, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha criaram um fundo internacional para ajudar a Líbia a combater a Aids, assegurar que o hospital de Benghazi se submeta às normas sanitárias e indenizar as vítimas.
O tribunal também condenou ontem o Estado líbio a pagar indenizações de US$ 250 mil a US$ 900 mil por vítima.


