Libertada, Ingrid agradece a Deus e aos soldados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 2008
Folhapress 
Folhapress
São Paulo - Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia, afirmou Ingrid Betancourt à rádio do Exército colombiano, horas após ter sido resgatada junto com outros 14 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A operação foi absolutamente impecável, acrescentou a franco-colombiana. Creio que é um sinal de paz para a Colômbia. O resgate foi realizado em uma zona de floresta do departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia.
Ingrid foi seqüestrada em 2002, quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência. Ela foi vista pela última vez em um vídeo da guerrilha divulgado no ano passado, onde aparecia abatida e doente. Os três americanos foram seqüestrados em fevereiro de 2003, quando realizavam uma missão aérea do chamado Plano Colômbia nas selvas de Caquetá, ao sul do país.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou que Ingrid está com boa saúde e que seus filhos estavam indo à Colômbia ontem à noite para encontrá-la. Sarkozy disse ainda que a França está pronta para receber rebeldes das Farc que renunciarem à violência.
Ingrid, três americanos, três políticos e dezenas de militares e policiais colombianos integravam o grupo de cerca de 40 reféns que a guerrilha propunha trocar por 500 rebeldes presos, após a criação de uma zona desmilitarizada no país.
Seis anos
Ingrid completou seis anos em poder da guerrilha no dia 23 de fevereiro. Ela foi seqüestrada quando concorria às eleições presidenciais ao lado da vice de sua chapa, Clara Rojas.
No cativeiro, seu estado de saúde piorou. Segundo informações de ex-reféns, ela teria tido malária, hepatite do tipo B e leishmaniose, além de problemas de insuficiência cardíaca.
A saúde de Ingrid, cada vez mais preocupante, levou várias autoridades a se mobilizarem para libertá-la. A França enviou uma missão humanitária à Colômbia e o governo do presidente Álvaro Uribe aceitou suspender suas operações militares no sudeste do país para permitir o eventual envio de médicos.
Os relatos de ex-reféns e uma carta enviada a sua mãe, Yolanda Pulecio, em novembro de 2007, mostraram que os guerrilheiros a submetiam a punições e humilhações constantes. Eles (os guerrilheiros) me tiraram tudo. Tento ficar silenciosa, falo o mínimo possível para evitar os problemas. Não tenho vontade de nada, escreveu Ingrid na última carta enviada a sua mãe.
No fim de 2007, o Exército prendeu um grupo de membros das Farc com documentos sobre a guerrilha, inclusive um vídeo que mostrava Ingrid magra e abatida na selva, ao lado de três norte-americanos.
Resgate
Os militares que se passaram por guerrilheiros para resgatar 15 reféns das Farc se camuflaram de tal maneira que vários deles usavam camisetas com a foto de Ernesto Che Guevara, contou Ingrid. Eles falavam como guerrilheiros e se vestiam como tais, disse ela à rádio do Exército.
Segundo Ingrid, a operação começou ao amanhecer quando os reféns foram informados que seriam transferidos pelos guerrilheiros. Ela acrescentou que ninguém, nem os seqüestrados nem os seqüestradores, suspeitou da operação. Eles só souberam que tinham sido resgatados quando estavam no ar, e um dos militares gritou: Somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres. Em vários momentos, a ex-candidata presidencial, seqüestrada em 2002, interrompeu seu relato em lágrimas.


