Caracas - O presidente venezuelano Hugo Chávez apresentou ontem plano para libertar três reféns das Farc que consiste no envio de um comboio humanitário aéreo a partir de um ou vários dos cinco aeroportos venezuelanos próximos à fronteira com a Colômbia. As equipes que participarão da operação já estão mobilizadas.
A operação, que acaba de ser avalizada pelo governo colombiano, será coordenada pelo ex-ministro do Interior venezuelano Ramon Rodriguez Chacin. O comboio será formado por representantes da Cruz Vermelha e por emissários colombianos, venezuelanos, brasileiros, argentinos, franceses, equatorianos, cubanos e bolivianos, que serão transportados em aviões e helicópteros. Também integrarão o comboio médicos e jornalistas.
Segundo o plano, os aviões devem decolar rumo ao aeroporto da cidade colombiana de Villavicencio, no departamento de El Meta, a uma hora de vôo da fronteira entre Colômbia e Venezuela. É nesta cidade que os emissários devem receber as coordenadas do lugar onde serão entregues os reféns.
Chávez destacou que os helicópteros decolarão primeiro, seguidos pelos aviões. Assim que os reféns forem entregues, o comboio voltará ao aeroporto de Villavicencio, ou seguirá diretamente para um dos cinco aeroportos venezuelanos perto da fronteira. Também é possível que o comboio siga diretamente para Caracas.
Os reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometem libertar em breve estão com ''boa saúde'', afirmou Chávez. As Farc pediram ''um tempo'' depois da entrega para deixar os guerrilheiros envolvidos na operação desaparecerem na selva.
O governo colombiano aprovou o plano apresentado por Chávez. ''Está autorizada a missão humanitária nos termos apresentados e designa como seu emissário Luis Carlos Restrepo (Alto comissário para a paz)'', informou o chanceler da Colômbia, Fernando Araújo. ''Por motivos constitucionais, os aviões envolvidos nesta missão têm que levar o emblema da Cruz Vermelha Internacional''.
Esperança - Chávez pediu ainda à política franco-colombiana Ingrid Betancourt que tenha ''coragem'', e prometeu continuar trabalhando para conseguir a libertação de todos os sequestrados das Farc.
''Ingrid, coragem menina, coragem compatriota, coragem companheira, já ouviste teus filhos, tua mãe, te amamos, e todos os que estão sequestrados'', disse Chávez.
Expectativa - As famílias dos três reféns, com a libertação anunciada pelas Farc para breve, disseram ontem estar ''satisfeitas'' com as modalidades de libertação propostas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
''Esta iniciativa me parece perfeita. É uma excelente proposta'', declarou aos jornalistas Ivan Rojas, irmão da refém Clara Rojas, ex-colaboradora da candidata à presidência de origem franco-colombiana Ingrid Betancourt e cujo filho nasceu no cativeiro.
Patricia Perdomo, filha da ex-parlamentar colombiana Consuelo González, feita refém em setembro de 2001, também se declarou ''feliz''. ''Vamos ter três pessoas livres'', afirmou a jovem.

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