Um grupo de 63 ex-espiões norte-coreanos, que passaram até 45 anos presos na Coréia do Sul, retornaram ontem à Coréia do Norte numa nova manifestação de boas relações entre os regimes rivais. O grupo cruzou a fronteira pelo povoado de Panmunjom, na zona desmilitarizada, devido a um acordo entre os dirigentes dos dois países na histórica cúpula de junho passado. Os 63 ex-detidos agradeceram a seus acompanhantes sul-coreanos antes de cruzarem a linha de demarcação, uns a pé, outros em cadeira de rodas, rumo ao Norte, onde uma comitiva triunfal os esperava.
Os repatriados, a maioria com mais de 70 anos, cumpriram penas de 15 a 45 anos de prisão na Coréia do Sul por espionagem e atividades subversivas, por se negarem a trair a causa da Coréia do Norte. A maioria dos ex-espiões foi libertada com a chegada ao poder do ex-opositor sul-coreano Kim Dae-Jung, em fevereiro de 1998. A Anistia Internacional e outras organizações de defesa dos direitos humanos pressionaram Seul para a libertação.
Entre as 63 pessoas libertadas está Kim Sun-Myung, de 76 anos, que chegou a ser o preso político mais velho do mundo antes de ser libertado. Kim, que passou 45 anos detido, foi preso por espionagem depois da Guerra da Coréia (1950-53).
Com mais esta medida, os observadores acreditam que o processo de pacificação entre as duas Coréias continue com maior celeridade.

mockup