A Holanda reagiu energicamente às críticas formuladas contra sua política liberal sobre drogas feitas por uma autoridade americana da luta contra os estupefacientes, general Barry McCaffrey, acusado de ‘‘caricaturar’’ a situação holandesa.
McCaffrey atribuiu à permissividade holandesa a responsabilidade pela criminalidade no país.
Segundo as autoridades, o general assinalou erroneamente que a taxa de assassinatos na Holanda se eleva a 17,5% por 100.000 habitantes, ou seja, o dobro nos EUA (8,22 %). Segundo as estatísticas holandesas, essa é na realidade de apenas 1,8% por 100.000 habitantes.
As imprecisões de McCaffrey, a dois dias de uma visita à Holanda, suscitaram a cólera dos holandeses. O ministério da saúde em Haia se perguntou ‘‘para que ainda serviria essa visita’’.
Em uma entrevista à CNN, o general qualificou de ‘‘catástrofe completa’’ a política holandesa em matéria de drogas.
Em geral criticada, a legislação holandesa tolera a posse de 5 gramas de drogas suaves para consumo pessoal. A venda e consumo de drogas duras são proibidos por lei, mas as autoridades desenvolveram uma atitude pragmática acentuada na repressão do tráfico e na mobilização de esforços para curar os toxicômanos, considerados enfermos e não delinquentes.
O general McCaffrey chegou quinta-feira a Amsterdã, seguindo depois para Rotterdã, as duas cidades mais importantes da Holanda, onde acaba de se iniciar uma experiência médica contra a toxicomania, fundada da distribuição controlada de heroína.
Em seu pronunciamento, antes da visita, o militar norte-americano insistiu em que só uma política mundial poderia resolver o problema da droga, afirmando que as medidas permissivas, na Holanda, representavam um golpe no trabalho visando vencer o tráfico. Para ele, só medidas duras podem resolver o problema.

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