Reuter
O governista Partido Liberal manteve sua maioria no Congresso nas eleições legislativas de domingo na Colômbia, marcadas por uma notável queda da abstenção e pelo avanço dos candidatos independentes, segundo resultados divulgados ontem em Bogotá.
Apurados 95% dos votos, os liberais (entre eles, porém, alguns dissidentes) conquistaram 50% do Senado (onde tinham 59%) e 57% da Câmara (onde tinham 53%). O oposicionista Partido Conservador obteve 23,5% na disputa pelas 102 cadeiras do Senado (onde controlava 23%) e 28,1% na batalha pelos 161 assentos da Câmara (onde tinha 32%). As forças independentes, incluindo movimentos religiosos e indígenas, ficaram com 26,48% na votação para o Senado (tinham 18%) e com 14,6% na disputa pela Câmara (tinham 13%).
Mas candidatos que combatem ativamente a política de Samper foram muito bem votados. A candidata mais votada foi a dissidente liberal Ingrid Betancourt, de 36 anos. Ingrid, que se distanciou do Partido Liberal em meio ao ‘‘narcoescândalo’’ que envolveu Samper, obteve 155 mil sufrágios, a votação mais alta na história do país, garantindo assim duas cadeiras no Senado.
‘‘Considero este resultado o juízo final de Samper e um voto de castigo à corrupção, às negociatas políticas e ao continuísmo’’, disse Ingrid, fundadora do movimento Oxigênio Liberal.
A grande votação recebida por críticos de Samper e o pequeno retrocesso do Partido Liberal foram considerados por alguns analistas um sinal de alerta para seu candidato à eleição presidencial de 31 de maio, Horacio Serpa.
No entanto, Serpa garantiu ontem que ‘‘houve uma grande votação’’ para congressistas que o apóiam. ‘‘Se essa votação for canalizada para meu nome, vou ganhar no primeiro turno’’, estimou.
Já o candidato conservador à presidência, Andrés Pastrana, disse que o governo sai como ‘‘o grande derrotado’’ das eleições. ‘‘Houve uma grande votação contra o continuísmo’’, afirmou Pastrana, que, nas pesquisas, aparece tecnicamente empatado com Serpa.

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