O Líbano avalia que vai precisar de pelo menos US$ 6 bilhões de investimento para recuperar sua região sul, desocupada nos últimos dias por Israel. ‘‘O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento fez um estudo sócio-econômico prevendo a reconstrução da região e num prazo de oito anos serão necessários mais de US$ 6 bilhões’’, afirmou, em Lisboa, Nasser Saidi, ministro da Economia, Comércio e Indústria do país.
Segundo Saidi, nem todo o dinheiro deverá ser público. ‘‘Apenas entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão deverão ser investimentos do Estado. O resto viria da iniciativa privada’’, disse em Lisboa, onde se encontra para o encontro entre a União Européia e os países do Mediterrâneo (Eurmed).
Para obter esses recursos, o Líbano solicitou ajuda em várias reuniões bilaterais e pretende convocar uma conferência de doadores. Saidi disse que a estimativa poderá ser ultrapassada: ‘‘A avaliação foi feita entre 1998 e 1999. A volta da população que se encontrava deslocada da região pode fazer aumentar esses valores’’.
Além da eliminação de minas terrestres, as tarefas incluem a reconstrução de toda a infra-estrutura básica: ‘‘Precisamos atender as necessidades da população quanto à eletricidade, água e saneamento. Muitas casas foram destruídas. A região foi devastada nestes 22 anos de ocupação’’. Segundo Saidi, os libaneses poderão exigir de Israel uma compensação por isso.
Falta apenas a região de Shabaa para terminar a retirada israelense. No entanto, não está prevista a retomada das negociações. ‘‘Israel tinha más intenções. Rejeitou um acordo em relação às resoluções internacionais e depois saiu do país. É possível que o objetivo do governo israelense fosse a retomada da guerra civil no Líbano’’, afirma Farouk El-Sharaa, ministro das Relações Exteriores da Síria.
Segundo ele, a Europa deveria ajudar a retomar as negociações em benefício da paz no Oriente Médio: ‘‘A Europa não assumiu o papel de mediação que deveria ter assumido’’, disse.
O triunfante líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, advertiu ontem Israel a deixar o Líbano em paz ou, caso contrário, enfrentará represálias e pediu aos palestinos que se levantem novamente contra o Estado judeu.

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