Beirute - Cerca de um milhão de pessoas carregando bandeiras libanesas fizeram uma manifestação gigantesca nesta segunda-feira em Beirute, exigindo a verdade sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri e a renúncia do chefe de Estado pró-sírio Emile Lahud. A imponente passeata, sem precedentes na história do país, também pediu o afastamento das autoridades dos serviços de segurança.
Alguns meios de comunicação falavam em um milhão e meio de pessoas nas ruas, levando em conta os manifestantes que não conseguiram chegar ao centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes pedindo a renúncia do presidente: ''Lahud vá com eles (os sírios)'', proclamavam. Esta manifestação sem precedentes vem fortalecer e reforçar a posição da oposição anti-síria.
O movimento hostil a Damasco rejeita a confirmação de Omar Karamé no cargo de chefe de governo, realizada no dia 10 de março pelo presidente Lahud, apenas dez dias após o primeiro renunciar sob a pressão dos protestos e da oposição.
De ônibus, de carro ou a pé, por terra ou por mar, milhares de libaneses vindos de todas as regiões do país chegaram ontem ao centro de Beirute, clamando pela verdade sobre o assassinato de Rafic Hariri.
A maré humana, coberta de bandeiras libanesas, não cabia na Praça dos Mártires, rebatizada como Praça da Liberdade. Os 200 mil metros quadrados deste lugar público eram insuficientes para a multidão, que se estendia por três quilômetros em direção à entrada norte de Beirute e aos bairros da periferia.
Segundo os meios de comunicação, foi a maior manifestação já organizada em Beirute, capital do Líbano, país que tem 3,5 milhões de habitantes. Os organizadores se dirigiam aos manifestantes através de alto-falantes, recomendando-lhes que ocupassem locais próximos. ''Vocês são quase um milhão e as pessoas continuam chegando'', diziam.
Trinta minutos antes do horário marcado para a manifestação começar, comboios vindos do norte, sul e do Vale de Bekaa ainda se dirigiam às ruas abarrotadas de Beirute. Ao longo de 15 km, a circulação na estrada foi desviada completamente para Beirute e os ônibus e carros avançavam por oito pistas, colados uns nos outros. Milhares de veículos vindo do Vale de Bekaa na fronteira com a Síria, para onde os soldados sírios estão se deslocando, causou enormes engarrafamentos.
Pela primeira vez, em quase 30 anos de domínio militar sírio em Bekaa, cerca de 200 mil habitantes desta região se dirigiram a Beirute. Vários quilômetros ao norte do cruzamento de estradas de Chtaura e até o porto de Baidar, 50 km ao Leste de Beirute, havia um tráfico intenso e um grande congestionamento.
''Vocês querem saber a verdade sobre o assassinato de Hariri? Esta verdade está em quartos escuros dos serviços de inteligência que nos governam e que vocês repudiam'', discursou exaltado o deputado Marwan Hamadé, na Praça dos Mártires, no início da cerimônia organizada pela oposição em homenagem a Hariri, assassinado no dia 14 de fevereiro.
''Mataram Abu Baha (sobrenome de Hariri) porque perturbava seus planos de submissão do Líbano'', disse Hamadé, que também foi ferido em uma tentativa de assassinato em 2004. Dezenas de oradores tomaram a palavra, entre eles deputados e personalidades, insistindo na unidade para conseguir um ''Líbano livre, soberano e independente''.

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