Líbano exige a retirada total de Israel
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quarta-feira, 24 de maio de 2000
Associated Press De Beirute 
A libertação de todos os libaneses detidos e a retirada das tropas de Israel de uma área de quase 200 quilômetros quadrados que Beirute reivindica para si são as duas questões que falta definir para que o Líbano considere concluída a retirada israelense.
No entanto, a maior preocupação de vários analistas é que o Hezbollah (Partido de Deus, pró-iraniano) coincide com Beirute em suas exigências, e já ameaçou que não cessará seus ataques contra as tropas israelenses se estas não abandonarem também a zona denominada os sítios de Shebaa e se Israel não colocar em liberdade os últimos libaneses (cerca de 40) que continuam detidos.
A maioria dos prisioneiros libaneses foram capturados por Israel nos anos 80 e mantidos como reféns para obter a liberação de militares isralenses desaparecidos no Líbano ou seus restos mortais.
Em 19 de abril, após uma controvertida sentença, a Corte Suprema israelense decidiu libertar 13 prisioneiros, e nos próximos dias deverá decidir a sorte dos dois detidos administrativos mais conhecidos.
Um deles é o xeque Abdel Karim Obeid, um dos líderes religiosos do Hezbolllah, e o outro é Mustafá Dirani, ex-chefe dos serviços de segurança da milícia Amal (pró-Síria).
Além dos prisioneiros, também a disputa entre Líbano e Israel a respeito da fronteira comum pode conduzir a perigosos cenários de guerra. Sobre as fronteiras do Líbano e da ex-Palestina existe uma detalhada documentação, exceto para 17 sítios localizados num terreno muito fértil no povoado de Shebaa, na ladeira oeste do monte Hermon, ocupado por Israel em 1967.
Segundo Beirute, Israel deve abandonar os sítios, que são indiscutivelmente libaneses, enquanto Israel sustenta que a zona onde nascem os rios Hasbani, Dan e Banias, que alimentam o lago Tiberíades, no Estado judeu pertence à Síria, e que a retirada de Israel da região será discutida nas conversações de paz com Damasco.
Beirute diz ter documentos que comprovam sua soberania sobre os sítios. Mas o especialista da ONU Miklos Pinther, que examinou em Paris e Londres os mapas relativos ao acordo entre França e Reino Unido sobre as fronteiras palestino-libanesas, diz que o acordo não inclui os 17 sítios.
Em compensação, para Issam Khalifeh, docente de História na universidade de Beirute, os sítios são libaneses pelo menos desde que Damasco e Beirute definiram a fronteira comum em 1951.
Os Capacetes Azuis da ONU vão se posicionar o mais breve possível o Sul do Líbano, declarou ontem o secretário geral da ONU, Kofi Annan. Não posso comunicar ainda um cronograma, mas temos a intenção de ir para a região o quanto antes, declarou Annan, ao ser indagado sobre a mobilização da ONU depois da retirada israelense do sul do Líbano.
Annan informou ter se reunido ontem com os representantes dos países que enviarão suas tropas para a missão da ONU no sul do Líbano para discutir a urgência da situação.


