O ministro israelense das relações exteriores, Ariel Sharon, quis marcar o próprio espaço ontem e complicou a campanha eleitoral do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em entrevista à imprensa, pediu que sejam adiadas as eleições do próximo dia 17 de maio para permitir a retirada israelense do sul do Líbano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou logo a idéia, declarando que ‘‘se trata de uma iniciativa particular, da qual não participo. Estou convencido de que as eleições devem acontecer na data prevista’’.
‘‘Queremos sair do Líbano, mas também queremos estar seguros de que não vamos levar o Líbano para casa’’, acrescentou o primeiro-ministro, invocando o risco de Israel se ver confrontado a ataques lançados a partir do Líbano depois de uma retirada incondicional de seu território.
A proposta de Sharon foi mal recebida não apenas por seus aliados do Likud, partido de direita, mas também pela oposição trabalhista.
O chefe da diplomacia viu-se obrigado a voltar atrás imediatamente, ao afirmar que só queria eliminar a questão libanesa da campanha eleitoral.
Sharon, em entrevista ao jornal Yediot Aharonot, havia declarado que Israel não pode se permitir perdas cada vez mais importantes no sul do Líbano, ocupado por Israel, e bloquear o processo de paz com os palestinos nas semanas que precedem as eleições gerais de 17 de maio.
O Partido Trabalhista considerou em comunicado que a proposta de Sharon significa que o ministro das relações exteriores chegou à conclusão de que Netanyahu já não está em condições de governar o país.
‘‘Temos uma proposta séria de retirada do Líbano, baseada em negociações com a Síria. Mas a proposta de Sharon é uma resposta desesperadamente débil a nosso programa’’, declarou a uma emissora de rádio Shlomo Ben-Ami, dirigente trabalhista.
Suspensão do bloqueio O bloqueio total imposto desde sábado por Israel na Cisjordânia e na faixa de Gaza será suspenso nas próximas horas, informou ontem um porta-voz militar.
A medida, que condenou a paralisação forçada de cem mil operários palestinos que trabalhavam em Israel, foi tomada por medo de atentados palestinos durante o carnaval judeu (Purim), que terminou ontem.

mockup