O principal símbolo da ocupação israelense do sul do Líbano, a prisão de Khiam, caiu ontem em meio a uma debandada do Exército do Sul do Líbano (ELS, pró-Israel) e uma retirada precipitada do Exército israelense, que abandonou ontem seu quartel-geral.
Os 144 presos de Khiam foram libertados ontem à tarde por uma multidão enlouquecida, aos gritos de Deus é Grande, enquanto os milicianos pró-Israel, que vigiavam a prisão fugiam disparando para o ar.
Em Khiam, situada perto de Marjayoun, estavam alguns presos detidos havia mais de 10 anos sem terem sido julgados. Os soldados do ELS desertaram do antigo quartel do Exército libanês, no setor oriental da zona ocupada por Israel, a bordo de aproximadamente 40 veículos precedidos de um blindado.
Mais de mil de membros do ELS, 40% do do total, entregaram-se ao Exército libanês e aos dois movimentos xiitas, o Hezbollah e o Amal, segundo fontes do serviço de segurança.
O líder do Hezbollah, xeque Hassam Nasrallah, exortou os membros do ELS a se entregar, assegurando que não tinham ‘‘nada a temer’’, pois seriam encaminhados ao Estado libanês para serem julgados. Nasrallah advertiu, contudo, que a resistência militar contra Israel ‘‘prosseguirá enquanto a área de Shebaa, principal ponto de conflito, continuar ocupada e os libaneses presos em Israel não forem libertados.
As guerrilhas islâmicas e seus simpatizantes ocuparam ontem com festa a maior parte da ex-zona de segurança israelense. O Exército de Israel, que, segundo o primeiro-ministro Ehud Barak, deve completar sua retirada em 10 dias, abandonou ontem à noite sua última base importante na parte ocidental da zona, em Bint Jbeil – que era uma das mais importantes cidades muçulmanas xiitas da zona de ocupação, estabelecida pelo governo israelense em 1985 para proteger o norte de Israel dos ataques e infiltrações dos guerrilheiros.
Pelo menos três quartos das tropas israelenses já abandonaram a zona de segurança, uma medida que estava prevista inicialmente para 7 de julho. Segundo Barak, a zona ‘‘esgotou sua utilidade’’ e já não serve como um ‘‘tampão’’ para impedir as infiltrações da guerrilha.
A aviação israelense efetuou ontem mais de 25 ataques aéreos e disparou cerca de 250 obuses para liberar um grupo de sua infantaria entrincheirado em Tallet Zaghé, na fronteira do setor oriental da zona ocupada. Ao mesmo tempo, a artilharia israelense disparou obuses no setor vizinho com o sul do vale libanês de Bekaa sob controle sírio, onde os combatentes do Hezbollah têm sua base.
O motorista de uma equipe da tevê BBC que estavam cobrindo a retirada israelense, Abed Takoush, morreu ontem quando aparentemente seu carro foi atingido por um disparo de tanque. ‘‘Fazia dois minutos que havíamos descido do carro quando ocorreu uma gigantesca explosão’’, disse o correspondente da BBC Jeremy Bowen.

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