Lei marcial ameaça Indonésia
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sábado, 26 de maio de 2001
France Presse De Jacarta 
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, ameaçado de destituição, pediu ontem aos partidos que aceitem um compromisso para sair da crise, mas deixou pairar a ameaça da instauração do estado de emergência no país. Wahid pediu aos partidos políticos que aceitem a proposta que fez anteontem de transferir poderes à vice-presidente Megawati Sukarnoputri. Ao mesmo tempo, porém, deu a entender que decretará o estado de emergência se sua proposta fracassar e o Parlamento continuar com o processo de destituição.
Com esta proposta, o presidente quer encontrar a melhor forma de evitar o estado de emergência ou uma sessão extraordinária, declarou Wahid à imprensa. O Parlamento, que já censurou Wahid publicamente duas vezes, por acusações de corrupção, se reunirá na próxima quarta-feira com a intenção de convocar uma sessão extraordinária da Assembléia Consultiva do Povo, que tem competência para destituir Wahid e substituí-lo por Sukarnoputri.
A vice-presidente, à frente do primeiro partido do país, o Partido Democrático Indonésio de Luta, afirmou anteontem que não aceitará a proposta de Wahid. Os aliados de Sukarnoputri dizem que um acordo como esse seria inconstitucional. Wahid afirma ter esperanças de que a vice-presidente mude de idéia e aceite a oferta.
Os principais generais indonésios, porém, já ofereceram apoio à vice-presidente e avisaram a Wahid que não tente nenhum golpe contra a constituição. O presidente, por sua vez, disse que ainda conta com o apoio dos militares e que as manobras do Parlamento contra ele são ilegais. Como isso pôde acontecer... até chegarmos ao ponto de declarar uma emergência civil? Foi por causa do Parlamento que passou dos limites de sua autoridade, disse o presidente.
O parlamentar Alvin Lie, um dos principais críticos de Wahid, disse que os deputados votarão a favor do julgamento político. A ameaça de lei marcial não passa de um blefe. Ele não tem nenhum poder, disse Lie. Wahid sairá na primeira semana de agosto, quando o Parlamento deve votar o processo de impeachment.


