Lei desburocratiza processo de adoção
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Agência Estado 
Brasília - A aprovação da Lei Nacional de Adoção, pelo Congresso é um importante passo para a desburocratização e padronização do processo de adoção no Brasil. Mas um longo caminho, que envolve a sociedade e a Justiça, ainda precisa ser percorrido para que as medidas não fiquem apenas no papel. A avaliação é de parlamentares que estiveram à frente da proposta aprovada ontem, depois de dois anos de tramitação no Congresso.
Para eles, porém, a nova lei, que seguiu para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está recheada de buracos. Trata-se, sim, de um pontapé inicial, nas palavras da relatora da matéria na Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), uma conquista significativa.
A lei aprovada traz várias inovações em relação ao que está em vigor atualmente no País. Entre as principais modificações, estão a criação do conceito de família extensa, que permite que a criança fique com parentes próximos (como avós, tios e primos), o estabelecimento de prazo máximo de dois anos de uma criança em um abrigo e a unificação das regras de adoção com a constituição de um cadastro único. Vai acabar aquela história de um casal se inscrever para adoção no Paraná e, lá sendo difícil, também entrar na fila em outro Estado, anotou o senador Aloízio Mercadante, líder do PT no Senado, e relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Direitos Humanos (CDH).
A nova lei também reduz a idade mínima para a adoção no Brasil de 21 para 18 anos, permite que o filho adotado e seus descendentes tenham acesso às informações sobre seus pais biológicos e deixa explícita a possibilidade de pais biológicos indicarem à Justiça as pessoas que adotarão seus filhos.
Há ainda um eixo específico na Lei que pretende estimular a adoção de crianças e adolescentes comumente preteridos pelos adotantes: adoção inter-racial, de crianças maiores, daquelas com deficiência e ou problemas de saúde. Atualmente, cerca de 22 mil pessoas estão na fila para a adoção no Brasil.
Esmagadora maioria, na faixa de 17 mil, querem adotar crianças menores de dois anos, brancas e do sexo feminino, dizem especialistas. Estamos fazendo uma Lei para as crianças. A Justiça e a sociedade terá de fazer a sua parte, reconhece Maria do Rosário. Ela admite que para convencer pessoas a adotarem crianças com outro perfil será preciso trabalho árduo, inclusive de entidades que atuam na área.
Um dos pontos considerados prioritários da nova Lei, o que estabelece limite máximo de dois anos para que as crianças fiquem em abrigos, vai requerer, reconhece a deputada, celeridade da Justiça.
O texto aprovado ontem é um substitutivo da Câmara a um projeto da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE). Ela, que já passou pela fila da adoção (adotou uma menina), assim como o deputado João Matos (PMDB-SC), autor de projeto também anexado à matéria, observa que o Ministério Público, participante de várias audiências públicas no Congresso sobre o tema, terá de fazer sua parte, bem como todos os envolvidos depois da regulamentação da nova Lei. E adverte que o próprio governo tem de agir.


