Lei de conciliação é unanimidade na Argélia
France Presse
De Argel
O presidente Abdelaziz Bouteflika tem agora as mãos livres para pôr ordem na Argélia depois da arrasadora vitória que obteve na quinta-feira ao conseguir aprovar por referendo sua lei sobre reconciliação nacional.
Graças a um sim maciço de seus compatriotas (98,63%), o presidente conseguiu um consenso popular que lhe permite impor suas idéias na aplicação da luta contra a corrupção e a ineficiência administrativa.
Bouteflika sempre insistiu que esta consulta popular constituía, caso se resultasse majoritária, um forte sinal de apoio à renovação da Argélia. A participação, tal como desejava, obteve um índice recorde de 85,06%.
Depois deste impressionante êxito, Bouteflika goza agora de uma legitimidade popular, cuja inexistência era reprovada por seus principais adversários.
Em um primeiro momento, o presidente se ocupará de erradicar a violência dos grupos islamitas armados que, desde 1992, causou mais de 100 mil mortos, geralmente em condições atrozes.
Com esta lei, promulgada em 13 de julho passado, Bouteflika dispõe de um marco jurídico que permitirá aos que se submeterem à autoridade estatal sua reinserção na sociedade argelina.
Esta normativa, cuja duração de seis meses se prolonga até o dia 13 de janeiro de 2.000, concede a anistia total ou parcial aos islamitas armados que se renderem.
Passada esta data, o castigo será sem piedade para os islamitas armados que resistirem à lei, enfatizou Bouteflika.
Desde sua promulgação, cerca de 300 rebeldes pediram para serem amparados por essa lei, segundo o chefe do Governo, Smail Hamdani.
Por outra parte, a situação social e econômica do país é catastrófica. O desemprego afeta 30% da população ativa, enquanto que a produção agrícola caiu 46% este ano. O crescimento da cotação do petróleo, que a Argélia produz em elevadas quantidades, é o único dado financeiro afirmativo.





