Enquanto outros países avançam na pesquisa com células-tronco embrionárias (CTE), cientistas brasileiros lutam pela liberação dos estudos no País. A pesquisa requer a destruição de embriões, o que é proibido pela atual Lei de Biossegurança e pelo Conselho Federal de Medicina. Por força da bancada evangélica, a proibição foi mantida no texto atual do novo projeto de lei para o setor, considerado um retrocesso por especialistas da área.
''É a pior coisa que poderia acontecer'', resumiu o pesquisador Antonio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual. Ele trabalha desde 2000 com o uso de células-tronco adultas - extraídas de tecidos do organismo já desenvolvido - para o tratamento de doenças cardíacas. E, apesar dos resultados positivos, considera o estudo das células embrionárias indispensável.
A principal questão sobre o uso dos embriões gira em torno da definição do início da vida. Será que um blastocisto - estágio inicial do embrião, do qual as células-tronco são extraídas - representa um indivíduo? ''A definição do início da vida é absolutamente aleatória; você pode colocar onde quiser'', argumenta Marco Segre, especialista em ética médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Para muitos pesquisadores, o tema deveria ser tratado em uma lei específica. ''Não dá para misturar soja transgênica com embrião'', disse Carvalho.

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