Lei afetará a provisão de gás na Argentina
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Agência Estado 
Buenos Aires - O governo argentino avalia os impactos que a crise na Bolívia produzirá no país. A nova lei boliviana de hidrocarbonetos poderá afetar a exportação de gás daquele país para a Argentina. Atualmente, a Argentina compra, diariamente, quatro milhões de metros cúbicos das companhias petrolíferas instaladas na Bolívia.
Porém, o governo de Néstor Kirchner teme que essas empresas possam abandonar suas operações na Bolívia por causa da alta carga fiscal estabelecida pela nova lei, segundo confidenciou uma alta fonte da Secretaria de Energia.
Por outro lado, existe um temor também relacionado às obras do Gasoduto do Nordeste, já que a nova lei aumenta o valor dos royalties, o que poderia complicar a sua construção. O presidente Kirchner esperava ampliar a importação de gás para 20 milhões de metros cúbicos por dia, nos próximos anos, através do Gasoduto do Nordeste, para atender o crescimento da demanda interna.
Com um investimento estimado em US$ 1,3 bilhão, a ampliação da rede da TGN seria financiada pelo Estado e pelas empresas Techint e Repsol-YPF. No entanto, o governo argentino acredita que agora, a nova lei torna o projeto inviável. Por isso, já iniciou estudos para a elaboração de um ''plano B'' de provisão de gás, o qual substituiria os poços do Norte pelos da região patagônica e da plataforma marítima.
A Argentina possui uma reserva de gás da ordem de 23,5 trilhões de pés cúbicos por dia (TPC), enquanto que a Bolívia possui a segunda maior reserva da América Latina, com 52,1 TCP, perdendo apenas para a Venezuela, com 147 TCP. De acordo com os dados da Secretaria de Energia, as reservas argentinas equivalem a aproximadamente 12 anos de consumo. De 1973 até 1998, a importação argentina de gás da Bolívia atingiu a soma de cinco milhões de metros cúbicos diários.
O país passou seis anos sem importar o gás boliviano mas com a crise energética do ano passado, esse produto passou a ser fundamental para atender à demanda local.


