Laudo diz que Nisman morreu ajoelhado
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sexta-feira, 13 de março de 2015
Agência Estado 
Detalhes da perícia encomendada pela família do promotor Alberto Nisman, encontrado morto com um tiro na cabeça em 18 de janeiro, apontam que ele foi assassinado com o joelho direito apoiado no chão do banheiro. A conclusão foi obtida a partir da posição de marcas que ficam na pele após a morte e de manchas de sangue que espirraram na parte inferior da pia.
A investigação oficial, a cargo da promotora Viviana Fein, segue a linha de um suicídio. Já o médico Daniel Salcedo rejeita a hipótese. "Não posso falar sobre o modo de execução, mas isso já está divulgado em alguns meios. Só ratificamos que a hipótese de suicídio está descartada", disse ele ontem ao sair do Ministério Público, depois de confirmar em depoimento suas conclusões a Fein.
Segundo o laudo privado que sustenta a hipótese de execução, a vítima, que tinha 1,82 metro de altura, "muito provavelmente se encontrava em um nível mais baixo que o agressor". Evidências para essa conclusão são que o sangue encontrado na pia à direita do promotor caiu de um altura pequena. O corpo também não tinha marcas de uma queda grande, o que indica que ele não estaria em pé.
Uma incongruência nessa parte da análise dos peritos privados é que a bala entrou em trajetória levemente ascendente. Se foi um homicídio, o agressor teria de ter se inclinado.
O peritos contratados pela ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, confirmaram ontem as conclusões apresentadas na semana passada - os detalhes da suposta execução, que estavam no 12.º dos 13.º pontos, não foram lidos por ela na ocasião. Segundo a equipe liderada pelo médico forense Osvaldo Raffo, Nisman morreu pelo menos 12 horas antes do momento apontado pela perícia oficial: na noite de 17 de janeiro, e não na manhã de 18.
Isso coloca a hora da morte perto do momento em que o técnico em informática Diego Lagomarsino, que trabalhava para Nisman, emprestou-lhe o revólver calibre 22 do qual saiu o disparo. Nos últimos dias, os movimentos da ex-mulher de Nisman têm jogado suspeitas sobre o ex-empregado do promotor. Em reunião com Fein, a juíza afirmou que ambos tinham relações comerciais mais intensas do que Lagomarsino deu a entender e levantou a hipótese de que o técnico tinha as chaves do apartamento de Nisman.
A defesa do ex-empregado de Nisman diz que o computador do promotor foi ligado às 7h25 do dia 18 e alega que o perfil dos sites consultados era o dele.
Lagomarsino admitiu que podia acessar à distância as máquinas de Nisman, mas seu advogado garante que o computador foi acionado por alguém no apartamento. Se Nisman acessou sua máquina, a perícia encomendada pela juíza estaria equivocada.
A análise privada indica ainda que o cadáver foi movimentado, enquanto a perícia oficial sustenta que ele bloqueava a passagem pela porta do banheiro com a cabeça, o que impediria a saída de um assassino. O grupo contratado também afirma que Nisman agonizou, enquanto a investigação oficial aponta que a morte foi imediata.


