Ministros do Meio Ambiente da América Latina fizeram um apelo ontem aos países industrializados para que assumam plenamente sua responsabilidade e lutem com eficácia contra o aquecimento do planeta, por ocasião da 6ª Conferência da ONU sobre a Mudança Climática em Haia.
‘‘Vemos com preocupação o fato de que muito poucos países ratificaram o protocolo e, entre eles, nenhum de nossos sócios do Primeiro Mundo’’, lamentou o ministro boliviano de Meio Ambiente, Ronald MacLean Abaroa.
‘‘Nossos esforços serão praticamente vãos, se não forem complementados por um compromisso real de países industrializados’’, alertou a ministra do Meio Ambiente salvadorenha, Ana María Majano, cujo país é altamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas.
A conferência de Haia deve pôr fim nesta semana a três anos de esforços internacionais para definir as modalidades de aplicação do protocolo de Kyoto, adotado em 1997 para reduzir 5,2% das emissões mundiais de gases de efeito estufa em 2008-2010 e que não foi ratificado por nenhum dos países industrializados.
As fortes divergências persistentes entre americanos, europeus e países em desenvolvimento ameaçam as negociações. Para o ministro do Meio Ambiente do Equador, Rodolfo Rendon Blacio, ‘‘o tempo para as negociações terminou e é hora de tomar decisões’’.
Por sua parte, o ministro colombiano de Meio Ambiente, Juan Mayr Maldonado, pediu ‘‘flexibilidade e vontade política’’ para que ‘‘ao final da semana possamos voltar para nossos países com boas notícias’’.
Segundo fontes ecologistas presentes na Haia também persistem as divergências entre as delegações latino-americanas.
‘‘O grupo de países latino-americanos Grila (que exclui o Brasil e o Peru) não está satisfeito com a decisão de nomear o Brasil como interlocutor em temas de gestão florestal e uso da terra’’, afirmou por meio de um comunicado a organização Amigos da Terra.
O ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil, Ronaldo Mota Sardenberg, aproveitou sua intervenção para recordar que uma das principais prioridades de seu governo ‘‘é a gestão sustentável de nossa selva e da conservação de nossa biodiversidade’’.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um dos ‘‘mecanismos de flexibilidade’’ previstos pelo protocolo de Kyoto para facilitar a aplicação e financiamento de seus compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países industrializados.
O MDL permite que um país do Primeiro Mundo obtenha cotas de emissão adicionais como contrapartida de apoio técnico ou financeiro a um projeto de desenvolvimento ‘‘limpo’’ num país do Terceiro Mundo.
‘‘A incorporação da transferência de tecnologia é também um aspecto fundamental do MDL, ainda que tenha de se promover o uso das tecnologias locais’’, ressaltou por sua parte o ministro paraguaio, Juan Francisco Facetti, cujo país é um dos maiores exportadores mundiais de energia hidrelétrica.

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