Cidade do Vaticano A brasileira Glória Daltio esperou horas para chegar junto ao corpo de João Paulo II, na Basílica de São Pedro, com um último pedido: que o próximo Papa seja latino-americano, representante de uma região com enorme quantidade de católicos e onde ser crente ''não representa uma vergonha''.
Glória, que é do Espírito Santo, levava consigo a bandeira do Brasil. ''Vivo em Roma há três anos e já recebi sua (do Papa) bênção. Hoje vim pedir a ele uma última coisa, um pedido também da minha mãe de 81 anos: um Santo Padre de nossa terra'', afirmou.
Alguns metros adiante, a voz, com sotaque peruano, de Alicia Delgado podia ser ouvida na multidão. ''Os latino-americanos têm fé no coração. É normal levar um rosário ou uma Virgem no bolso. Para nós, crer em Deus é algo que faz parte de nossa vida naturalmente, uma atitude que na Europa se perdeu'', observou.
Segundo ela, que é natural de Lima e vive em Roma há alguns anos, João Paulo II, que visitou o Peru em 1985 e 1988, marcou em seu país, que se debatia numa guerra interna, ''o início da pacificação''. ''Ele iniciou uma nova era para o nosso povo. Temos que rezar para que o próximo Papa continue ao lado dos pobres e seja de nossa terra, se for possível. Nós merecemos porque somos um povo muito religioso'', diz.
Entre a imprensa mundial, a hipótese de que o novo Papa venha do ''Continente da Esperança'', como João Paulo II chamava a América Latina, onde se concentra o maior número de católicos do mundo, vem adquirindo grande importância. Como se tratasse de uma corrida eleitoral, as apostas estão abertas e a campanha já começou.
''Será uma grande alegria se for um brasileiro'', explica a irmã Teresina de Jesus Santos, religiosa da Congregação Mensageiras do Amor de Deus, do Paraná, que também carregava uma bandeira do Brasil.

mockup