L'Áquila tem funeral coletivo
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Folhapress 
L'Áquila, Itália - Hoje acontece um funeral coletivo em L'Áquila, na região central da Itália, e as buscas por sobreviventes devem durar até domingo. O número de mortos já chega a 287. A devastação provocada pelo terremoto levou a procuradoria de L'Áquila a abrir uma investigação para apurar se as normas de construção antissísmica foram ignoradas na cidade.
Nos últimos dias, especialistas tem sugerido que a fiscalização frouxa dos padrões de construção pode ter tido um papel decisivo na tragédia. Além de construções históricas, muitos prédios modernos também vieram abaixo, como o dormitório da Universidade de L'Áquila, onde muitos estudantes morreram soterrados.
Ontem, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, visitou a cidade de L'Áquila, devastada pelo terremoto. Napolitano afirmou que viu na tragédia uma ''irresponsabilidade difusa'' na construção dos edifícios que não aguentaram o terremoto, seguido por mais de 400 novos tremores.
Em entrevista coletiva, Napolitano afirmou que ''ninguém está sem culpa''. ''Muitos têm sido envolvidos na construção dos edifícios que desabaram. Deve haver um exame de consciência, sem discriminação ou cores políticas, não para bater ao peito, mas para entender o que é indispensável e urgente fazer para evitar que estes fatos se repitam'', disse, citado pelo jornal ''Corriere della Sera''.
Segundo especialistas, a tragédia foi agravada porque a cidade medieval está construída sobre um lago sedimentado e é repleta de edificações antigas e despreparadas para suportar terremotos -mesmo estando em uma área de reconhecida atividade sísmica.
A Itália tem leis de construção antissísmica datadas de 1970 e 2003. Mas é muito difícil reforçar estruturas de construções centenárias, feitas de pedra e tijolo. A Itália está numa zona de risco contínuo, onde se encontram as placas tectônicas Eurasiática, Africana e a microplaca Adriática, além de outras microplacas menores.
O presidente afirmou ainda ser necessário investir na prevenção de uma tragédia como essa. ''Para que nós possamos fazer a prevenção, não com previsões impossíveis ou profecias fantasiosas, mas utilizando meios indispensáveis para que os edifícios resistam.''


