Se não tivesse perdido a vida em um acidente automobilístico em julho de 1980, madre Leônia Milito estaria completando hoje 90 anos de idade. Mas a jovem nascida em Sapri, na Itália, que veio para o Brasil em 1954 e escolheu Londrina para dar corpo à sua obra missionária, jamais morrerá no coração dos londrinenses.
  Chamada de ‘‘a filha mais querida de Londrina’’, os católicos lançaram oficialmente ontem a campanha para o processo de beatificação da religiosa, que pode se tornar a primeira santa de Londrina e do Paraná. Toda a documentação coletada deverá ser enviada ao Vaticano até o dia 18 de outubro deste ano.
  Cerca de dois mil católicos participaram de uma missa rezada pelo arcebispo da arquidiocese de Londrina, dom Albano Cavallin, na igreja da Paróquia São Vicente de Paula (zona sul). Depois, os fiéis seguiram em carreata até o Lago Igapó, onde o padre Silvio Andrei abençou veículos e motoristas.
  Foi em Londrina que a madre de sorriso franco deu início à sua obra juntamente com dom Geraldo Fernandes. Na cidade, ela fundou uma nova família religiosa – a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret – cuja essência era anunciar o Evangélio e o serviço da caridade. Hoje, seu exemplo ecoa nos cinco continentes e leva alento para milhares de pessoas.
  Quem conheceu a religiosa garante que ela já emanava santidade em vida, tamanha era sua bondade e abnegação. A catequista Heloíza de Oliveira Leite, de 67 anos, fala com candura da madre que amava os necessitados e aconselhava a todos que lhe procuravam. ‘‘Era uma pessoa muito alegre, que inspirava confiança e que sempre defendeu os mais pobres’’, relembra. Seu primeiro milagre, segundo a catequista, teria ocorrido pouco tempo após sua morte. ‘‘Uma mulher estava com câncer e o marido pediu à madre que salvasse sua esposa e foi atendido. Quando ele chegou em casa, sua mulher estava curada e os médicos não souberam explicar o que havia acontecido.’’
  Para dom Albano, o exemplo de madre Leônia serve para encher o coração do londrinense de ‘‘fé e caridade’’. De acordo com ele, a religiosa assemelha-se à madre Teresa de Calcutá, que também dedicou sua vida aos que mais precisavam. Dom Albano avaliou que o início do processo de beatificação da madre é o início de uma onda ‘‘muito positiva’’ de caridade. ‘‘Temos que semear atitudes de partilha como fez madre Leônia’’, comentou o arcebispo.

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