Laino promete ‘‘limpar’’
velha imagem paraguaia
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção

France Presse
Domingo chega às
urnas com missão
de desapear os
colorados do poderO combate ao contrabando, à falsificação, ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro é um dos principais pontos do programa de governo da Aliança Democrática, liderada por Domingo Laino, maior adversário do Partido Colorado, que está há 54 anos no poder no Paraguai.
Laino irá disputar domingo a presidência com Raul Cubas Grau, colorado, e promete ‘‘limpar’’ a imagem de ‘‘pirata’’ que o Paraguai adquiriu com a prática endêmica do contrabando e da falsificação de bens de consumo e industrializados. Essa imagem, segundo ele, prejudica a participação paraguaia no Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), além de desestimular o investimento estrangeiro em novas indústrias e prejudicar a atividades dos empresários locais.
O combate à corrupção e ao contrabando não faz parte da plataforma de governo dos colorados, e é justamente neste ponto que Laino se apega para ganhar a simpatia dos governos do Mercosul e conquistar o apoio do empresariado paraguaio.
Além de Laino, seu candidato a vice Carlos Filizzola e, caso vença as eleições, seu futuro ministro da Economia Guilhermo Caballero Vargas, têm se reunido frequentemente com os empresários para enfatizar este ponto de seu programa de governo.
No último encontro com empresários, quarta-feira, promovido pela Câmara e Bolsa de Comércio, Caballero Vargas disse que o governo do Brasil e Argentina, principais integrantes do Mercosul, esperam uma ‘‘oxigenação’’ da política paraguaia e o ‘‘ataque frontal’’ ao crime organizado para que possam aumentar o intercâmbio comercial com o Paraguai.
Ciudad del Leste está no centro das preocupações destes dois países, afirmou Caballero Vargas, e a Aliança Democrática promete ‘‘varrer’’ a máfia desta cidade. ‘‘Tanto a Argentina com o Brasil estão esperando uma mudança em nosso país para tornar decente a fronteira; eles estão tão preocupados quanto nós’’, disse.
Para o candidato a vice Carlos Filizzola, ex-prefeito de Assunção, o governo de Juan Carlos Wasmosy não tem ‘‘vontade política’’ para enfrentar a questão do contrabando. Segundo ele, várias comissões foram criadas pelo atual governo para identificar as origens do contrabando e determinar os meios de combatê-lo, mas todas elas ‘‘não deram em nada’’. O candidato reconheceu, porém, que a Direção das Aduanas tem sido mais rigorosa nos últimos três anos para impedir a entrada ilegal de mercadorias em seu país.
Em contato telefônico com a Folha, Filizzola afirmou que, apesar dos esforços da Direção de Aduanas, ‘‘a maior parte das operações do País são feitas por contrabando’’.
PressãoHoje é o últimos dia para manifestações de rua em apoio aos candidatos nas eleições de domingo. Os comícios estão proibidos desde terça-feira e os candidatos não podem participar de nenhuma concentração pública e nem de programas de rádio e televisão.
Se dependessem apenas das manifestações públicas, os colorados venceriam com folga, pois o número de seus manifestantes que saíram às ruas nos últimos dias foi várias vezes superior aos da Aliança Democrática.
Os colorados, que se apresentam divididos nestas eleições, e que pela primeira vez em sua história enfrentam um adversário com chances de vencê-los, não economizam meios para evitar a derrota. Equipamentos e funcionários do Estado são utilizados sem escrúpulos em sua campanha.
O presidente Wasmosy não apóia a chapa colorada - seu candidato foi derrotado na convenção - e por isso tem se mantido afastado da mobilização feita por seu partido, mas vários de seus ministros têm atuado na linha de frente da campanha eleitoral.
O ministro da Educação e Cultura, Vicente Sarubbi, obriga os professores a assistirem às manifestações do partido e a trabalharem pela candidatura de Cubas Grau. O ministro da Indústria e Comércio, Abilio R. Fernández, promoveu uma concentração colorada na sede de seu ministério, na quarta-feira, enquanto em seu gabinete jornalistas locais, que foram entrevistá-lo sobre os resultados de sua recente viagem a Taiwan, eram informados de que ele não poderia atendê-los.
No último comício colorado, na noite de terça-feira, em Assunção, funcionários e veículos da Administração Nacional de Navegação foram utilizados na preparação da festa. Para os jornalistas que foram questioná-lo sobre o emprego de bens e funcionários públicos numa manifestação política, o senador colorado Amado Yambay foi taxativo. ‘‘Para salvar o partido’’, disse, ‘‘é justo que se use até o último veículo, carro e bicicletas do Estado’’.

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