Laíno e Cubas virtualmente empatados
Paraguaios se dividem entre a mudança radical ou manter um sistema e um partido que governam o país há cinco décadas
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção
Mudar ou não mudar, eis a questão que divide os paraguaios que, pela primeira vez em mais de meio século, poderão ter um presidente que não seja do Partido Colorado. Às vésperas das eleições presidenciais de domingo, a possibilidade de uma mudança radical na estrutura do poder é o mote da campanha eleitoral de Domingo Laíno, candidato da Aliança Democrática, e o fantasma que os colorados de Raul Cubas Grau manipulam para assustar seu eleitorado e cobrar-lhe fidelidade.
Os dois candidatos estão virtualmente empatados nas pesquisas de intenção de voto. Laíno vinham mantendo uma confortável diferença desde que, no mês passado, o general Oviedo, colorado, foi afastado definitivamente da disputa. Mas os colorados, a partir do comício de encerramento de sua campanha, na terça-feira, conseguiram equilibrar a disputa.
Para barrar o avanço de Laíno, seus adversários vêm desenvolvendo uma eficiente campanha para amedrontar a população, sobretudo os empresários e funcionários públicos. A mudança de governo, dizem os colorados, significará a ruína dos empresários que mantiveram negócios com o Estado. E, para os funcionários públicos, setor de serviços que emprega o maior número de pessoas no Paraguai, apontam a ameaça de demissão.
A Aliança Democrática aponta Laíno como alternativa segura para o rompimento do imobilismo político que caracterizou o Paraguai nos últimos 50 anos, rompimento que, garante, irá tirar o país da estagnação econômica e do jugo do Partido Colorado, cujo poder se confunde com o do Estado, e irá expurgar a corrupção que é alimentada pelo próprio Estado.
A corrupção institucionalizada se converte numa das principais armas de Laíno para fustigar seu adversário. Laíno não se canse da apontar a fortuna que os líderes colorados acumularam e, para contrastar, ressalta que a maioria da população não dispõe, entre outras necessidades, sequer de esgoto sanitário. A casa de Raul Cubas é tema de campanha: cinco mil metros quadrados de área construída em estilo Luis 14. Essa casa, perto da qual, aliás, a Casa da Dinda não passa de mísera choupana, foi um das imagens finais do programa eleitoral de Laíno pela televisão.
Cubas atira sobre a Aliança Democrática dizendo que ela jamais poderá governar com coerência, pois Laino é liberal enquanto seu vice, Carlos Filizzola, é social-democrata. Acusação que Laíno tira de letra, citando o Brasil como seu exemplo. Diz ele: ‘‘O ilustre professor Cardoso promoveu a estabilidade econômica no país vizinho e irmão. E ele é social-democrata enquanto seu vice é liberal.
A Aliança Democrática reagiu à ascensão colorada na reta final e deu uma grande demonstração de força na noite de quinta-feira, reunindo milhares de pessoas numa marcha na avenida Mariscal López, uma das principais de Assunção, aumentado o ânimo do eleitorado oposicionista, segundo a própria Aliança.

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