Arquivo FolhaPreocupaçãoDomingo Laino disse que está preocupado com a posição da chancelaria brasileira que não tem sido firme na defesa da eleição na data marcadaAmigo do presidente Fernando Henrique Cardoso, da época em que ambos estavam no exílio, o candidato da Aliança Democrática às eleições presidenciais paraguaias, Domingo Laino, foi ontem ao Palácio Alvorada com um recado: ele não aceita adiar um único dia a data de votação, definida pela Constituição. Caso isso aconteça, Laino pode até retirar a sua candidatura, contra o que considera ser um golpe de Estado.
‘‘Estou preocupado com as declarações do chanceler (Luiz Felipe) Lampreia’’, disse Laino, pouco antes de seu encontro com Fernando Henrique. ‘‘Ele disse que o que realmente importa para garantir a continuidade democrática no Paraguai é que o novo presidente tome posse no dia 15 de agosto - mas para nós é mais importante a data da eleição’’, explicou.
Até agora, essa sutil diferença de opiniões passou desapercebida. Desde o início da crise política, que há meses paralisa o Paraguai, diplomatas de vários países repetem o mesmo: seja quem for o sucessor do presidente Wasmosy, ele precisa ser eleito de acordo com as normas constitucionais. Se as regras forem quebradas, os paraguaios serão expulsos do Mercosul.
Os EUA, desde o princípio, se limitaram a ler, em voz alta, o que está escrito na Constituição paraguaia: as eleições devem ocorrer, no mínimo, 90 dias antes da posse de 15 de agosto. É o que acha Laino. ‘‘A votação foi marcada para 10 de maio e, de acordo com nossa Constituição, só poderá ser adiada até 15 de maio’’, disse Laino. ‘‘Não podemos aceitar que seja prorrogada um dia além dessa data, porque temos que pensar no futuro: quem nos garante que essa exceção não acabe virando uma regra?’’, perguntou.
Por achar a situação extremamente complexa e ter interesses importantes no Paraguai, o Brasil comunicou aos EUA que adotaria uma posição mais flexível em relaçao à crise paraguaia - algo que foi acertado com a Argentina e o Uruguai. O Mercosul tem insistido na importância da data da posse, para deixar aos vizinhos mais tempo para resolver seus problemas internos.
Laino diz que os paraguaios estão cansados da crise política e, por isso mesmo, acha que conseguirá conquistar os votos dos 20% de indecisos. Na conversa com Fernando Henrique, disse que, se for eleito, se empenhará em combater a corrupção e o tráfico na fronteira. Mas se houver uma mudança na data da votação, ele retira a candidatura. ‘‘Não quero participar de eleições que não sejam democráticas’’, concluiu.

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