Laino, a esperança dos liberais
Laino, a esperança dos liberais
José Antônio Pedriali
Arquivo Folha
Adversário dos generaisLaino personificou a resistência à ditadura paraguaia, disputou três eleições presidenciais e pode finalmente chegar ao poder. Nunca os liberais e demais partidos da oposição estiveram tão próximos da vitóriaO economista Domingo Laino disputa a presidência do Paraguai pela terceira vez - e se não ganhar, reconhecem seus próprios companheiros do Partido Liberal, poderá arquivar definitivamente seu sonho. Com 63 anos, e aparentando bem menos, Laino está incorporando há três décadas a política paraguaia, na qual iniciou a carreira como deputado federal, cargo que exerceu por dois mandatos até ser expulso do país pelo general Alfredo Stroessner.
Laino converteu-se no adversário mais famoso de Stroessner, que governou ditatorialmente de 1954 e 1989, pois se exilou na Argentina e no Brasil e, com suas viagens pelo mundo, conquistou a simpatia de muitos governos e entidades internacionais. Durante o regime de Stroessner, Laino foi torturado e preso por várias vezes e se converteu na esperança dos liberais, partido histórico como os colorados, de um dia retomarem o poder.
Este dia pode ser hoje. Nunca Laino, os liberais e demais partidos de oposição estiveram tão próximos do poder. A divisão dos colorados, a prisão do general Lino Oviedo, a fraqueza demonstrada em seu governo pelo presidente Juan Carlos Wasmosy, também colorado, fortaleceram a candidatura de Laino, que está aliado aos sociais-democratas do Partido do Encontro Nacional, a terceira força política do país.
Laino é um líder carismático, que faz do uso constante da barba sua marca registrada e fala com eloquência e de maneira articulada. Sua passagem pelo Brasil lhe rendeu muitas amizades no meio político, entre elas a do ex-governador Álvaro Dias, e até hoje ele tem livre trânsito em Brasília. Há poucos dias ele foi recebido pelo presidente Fernando Henrique - a quem Laino sempre se refere como professor Cardoso e por quem não esconde a admiração.
A retomada do desenvolvimento econômico, maior integração do Paraguai ao Mercosul, a combate às origens da pobreza e, acima de tudo, à corrupção são os principais programas de Domingo Laino
Folha - O sr. tem enfatizado que a corrupção, a pirataria, o contrabando e a lavagem de dinheiro prejudicam a imagem do Paraguai junto a seus sócios no Mercosul e que, portanto, a extirpação desses males é vital para o crescimento econômico do Paraguai. Que medidas concretas o sr. pretende tomar nesse sentido?
Laino - Em primeiro lugar, será a primeira vez em mais de meio século que teremos no poder homens de mãos limpas. A Justiça será nossa principal aliada e é a ela que vamos recorrer para combater a corrupção e outros crimes. Mas, acima de tudo, o nosso exemplo irá desestimular as estruturas inferiores no poder, que estão viciadas e comprometidas com o crime. Quem se corromper ou permitir a corrupção em nosso governo não será poupado.
Além do combate à corrupção e ao contrabando, o que o sr. pretende fazer para aumentar a participação do Paraguai no Mercosul, já que seu país apresenta o pior desempenho entre os quatro sócios?
Laino - O mundo vive uma mudança profunda provocada pela globalização econômica. Os blocos regionais se consolidam em todo o mundo. Não é mais possível conceber um projeto econômico estritamente nacional. O Mercosul é nosso âmbito e, para nos adequarmos a ele, é necessário ajustar o nosso processo de desenvolvimento. Temos energia abundante - a maior produção per capita do mundo - e este é um grande estímulo para a atração de empresas estrangeiras. O desenvolvimento da agroindústria e da industrialização é, portanto, fundamental.
Qual a primeira fraqueza de seu adversário?
Laino - Primeiro, ele representa o continuísmo, do qual todos estamos fartos. Segundo, que governabilidade poderá nos oferecer a chapa Cubas-Arga¤na se os dois representam setores antagônicos do Partido Colorado?
Mas o seu vice, Carlos Filizzola, é um social-democrata, enquanto o sr. é um liberal. São duas correntes políticas antagônicas, não?
Laino - Nosso programa de governo é fruto de uma ampla discussão. As ideologias não estão mortas, mas temos de ser pragmáticos. Se houvesse uma contradição tão profunda entre os liberais e os sociais-democratas não teríamos o atual governo brasileiro, que está se revelando eficiente. O professor Cardoso é social-democrata e seu vice, Marco Maciel, é liberal, não é? Então...





