Marcelo Brusa
France Presse
Da Cidade do México
A esmagadora vitória das inéditas primárias do partido governante mexicano, Francisco Labastida, aparecia esta segunda-feira como o favorito para as presidenciais de julho de 2000 que, disse, espera ‘‘ganhar amplamente’’.
Esta foi a primeira vez em que o Partido Revolucionário Institucional – PRI, o mais antigo no poder no mundo – elegeu democraticamente seu candidato à presidência. Até agora, era o chefe de Estado quem designava o candidato a sucessão num folclórico processo conhecido como ‘dedazo’.
Apoiado por mais de 4,5 milhões de votos (quase 60% do total) e a vitória em mais de 90% dos distritos, o ex-ministro do Interior, de 57 anos, inicia sua carrida à presidência sob bons presságios.
‘‘O PRI e o regime parecem ter saido com sucesso das eleições primárias de anteontem, nas quais Labastida conseguiu uma vitória esmagadora’’ (...) e ‘‘se dota de um candidato legitimado’’ trouxe em editorial nesta segunda-feira o diário ‘‘La Jornada’’.
‘‘No caso de os priístas continuarem firmes e sem rupturas, é muito possível que ganhem a presidencial, principalmente porque as forças de oposição estão divididas, não coesas’’, estimou ontem Juan Reyes del Campillo, pesquisador da Universidade Autônoma Metropolitana.
O analista Agustín Ortíz Pinchetti, disse à AFP que o PRI sai fortalecido do processo. ‘‘Nesse momento parece consolidada a posição do PRI, especialmente depois do fracasso da aliança’’ (frustrada tentativa de uma coalizão opositora entre o conservador Partido Ação Nacional, PAN e o centro-esquerdista da Revolução Democrática, PRD).
Labastida – que foi considerado como o ‘candidato oficial’ – disse ontem que sua maior preocupação será fazer um bom governo porque ‘‘o regime dura somente seis anos, mas a desonra dura muitos anos’’.
O político foi apresentado por seus simpatizantes como o ‘‘candidato seguro’’ e ‘‘confiável’’ para a sucessão, argumento que parece impor-se a aos poucos êxitos que acumulou em sua carreira pública tanto no ministério do Interior como como governador do estado de Sinaloa (noroeste).
Os analistas coincidem que uma eventual vitória de Labastida nas presidenciais de julho de 2000 servirá para ratificar a política econômica neoliberal que acontece no México há uma década e meia, talvez com somente algumas variantes no aspecto da política social.
Os mercados financeiros reagiram com cauteloso otimismo, e o presidente da Associação de Banqueiros do México, Carlos Gómez y Gómez destacou que esperava reações favoráveis dos mercados.
‘‘O discurso de Labastida parece estreitamente associado com o programa de governo que tem sido aplicado pelo menos desde 1985, e não se diferencia das políticas e metas do atual governo’’, disse por sua vez León Bendesky, sócio da firma ERI Consultores Econômicos,
A ‘perestroika à mexicana’ aliviou os ânimos eleitorais dos priístas, frente as constantes quedas do PRI nos últimos anos.
O oficialismo perdeu nesta última década vários governos estaduais e, nas quais se impôs, seus candidatos sempre se apresentam depois de algum processo de seleção interna.
Atualmente, o PAN dirige seis Estados, o PRD quatro – entre os quais o Distrito Federal – e os 22 restantes o PRI, que também pela primeira vez em 1997 deixou de ter maioria simples na Câmara de Deputados.

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