Kuwait nega direito de voto à mulher
France Presse
Da Cidade do Kuwait
O parlamento kuwaitiano negou ontem o direito de voto às mulheres por 32 votos contra, 30 a favor e duas abstenções.
Os deputados se opuseram assim à vontade do emir, xeque Jaber Al-Ahmad Al-Sabah, que havia promulgado um decreto em maio passado outorgando às mulheres seus direitos políticos a partir da próxima consulta eleitoral, em 2003.
Os deputados liberais, pró-governamentais e islâmicos xiitas estavam a favor do direito de voto para as mulheres, enquanto os parlamentares islâmicos sunitas e dos grupos tribais eram contra.
A assembléia conta com 16 votos para os liberais, 20 para os islâmicos (6 xiitas e 14 sunitas), e 14 para os pró-governamentais. Os 16 membros do governo, dos quais um deputado, também têm direito a voto, com o que somam 65 dos votantes. Sessenta e quatro deputados votaram ontem.
Dois votos foram decisivos no resultado. Um dignatário xiita, Hussein Al-Qallaf, mudou de opinião no último momento e se absteve, em vez de votar a favor, enquanto um islâmico moderado, Abdallah Al-Rumi, que a princípio devia apoiar o projeto, votou contra.
Cerca de 120 mulheres estavam presentes nas galerias do parlamento, em sua maioria sem véu, e um terço delas usavam camisetas com a inscrição Mulheres do ano 2003, de pé.
Contrastando com o silêncio das mulheres, os homens que também estavam assistindo à sessão aplaudiram o resultado da votação.
O parlamento kuwaitiano havia anulado, em 23 de novembro, um decreto do emir que dava direito de voto às mulheres. Alguns liberais o impugnaram porque foi apresentado num período de recesso do parlamento.
Mas os deputados liberais aceleraram depois um projeto de lei sobre os direitos políticos das mulheres. O Kuwait é o único país árabe do Golfo que tem um parlamento.





