Lima - O economista conservador Pedro Pablo Kuczynski, de 77 anos, é o novo presidente do Peru. Ele foi eleito com 50,12% dos votos, contra 49,88% de Keiko Fujimori, em um dos pleitos mais apertados da história do país. A diferença entre ambos ficou em apenas 41 mil votos, o que alimentou protestos de fujimoristas em frente da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) nas últimas noites. Alguns manifestantes falaram em fraude, enquanto, do outro lado da rua, defensores de Kuczynski cantavam o hino nacional e gritavam "viva a democracia".
Em entrevista coletiva minutos depois de completar 100% das atas eleitorais processadas, Kuczynski agradeceu pelo apoio e fez um aceno pelo diálogo aos adversários políticos. "Não é uma divisão entre o Peru do sul e do norte, entre serra e costa, somos um só país e temos que trabalhar como um só país", declarou. Ele prometeu trabalhar "para todos os peruanos" e pediu a todos união. "Vou me encarregar de estar aqui nestes anos que vêm para trabalhar por todos vocês, para que, em 2021, o Peru seja um país renovado." A posse do novo presidente será em 27 de julho, assim como a do novo Congresso, de maioria fujimorista. Tanto os parlamentares quanto o chefe do Executivo têm mandato até 2021.
A história deste pleito peruano foi cheia de reviravoltas e surpresas. Primeiro, porque a corrida começou com 19 candidatos e apenas um claro favorito, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que segundo as pesquisas beirava os 40% das intenções de voto. Logo, duas candidaturas independentes que despontaram, a de Cesar Acuña e a de Julio Guzmán, foram impugnadas pelo Juizado Nacional de Eleições por irregularidades. Guzmán havia chegado a passar Fujimori em algumas pesquisas.
As impugnações suspeitas e polêmicas das duas candidaturas fez com que o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, dissesse que o Peru era uma "semidemocracia".

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