Ansa e
France Presse
De Moscou
O governo russo lamentou ontem a posição do presidente americano, Bill Clinton, que pediu em seu discurso sobre o Estado da União o fim do conflito na Chechênia, classificando-o de ‘‘guerra cruel e sem futuro’’.
A declaração do presidente americano, segundo o porta-voz do Kremlin, Sergei Yastrjembsky, confirma ‘‘desgraçadamente’’ as suspeitas russas de que o Ocidente não compreendeu ainda o que se passa no Cáucaso. ‘‘Os governos ocidentais (liderados pelos Estados Unidos) observam os acontecimentos com sua própria visão da luta contra o terrorismo.’’
Pouco antes dessa declaração, o presidente interino russo, Vladimir Putin, visivelmente irritado com as pressões ocidentais, recebeu no Kremlin o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para debater a violenta campanha militar russa no norte do Cáucaso.
O diálogo transcorreu em clima ‘‘animado e franco’’, durante o qual Annan compreendeu a luta russa contra o terrorismo, mas pediu mais atenção para a situação dos civis, limitou-se a dizer o subdiretor do gabinete presidencial, Serguei Prijodko. Um funcionário da ONU acrescentou que Annan colheu apenas ‘‘boas palavras’’, sem obter nenhum resultado prático.
Annan pretendia reunir-se também com o chanceler Igor Ivanov, que se recolheu a uma clínica moscovita para tratar-se de uma ‘‘forte gripe’’.
No âmbito militar, as forças russas prosseguiam seu lento avanço sobre o centro de Grozny, a capital da Chechênia, dificultado pela ação de franco-atiradores rebeldes.
Em meio a esse quadro, a televisão russa divulgou entrevista com um líder rebelde, o comandante Khattab, na qual ele ameaça levar a guerra a cidades russas. Em consequência, o Serviço Federal de Segurança (sucessor da KGB) pôs seus agentes em estado de alerta e reforçou o policiamento nas principais áreas urbanas do país.
As forças russas tomaram ontem à noite a estratégica praça Minutka, perto do centro de Grozny, segundo o comandante do front leste russo, general Gennady Troshev, numa entrevista para a TV privada NTV. Os russos já anunciaram várias vezes a tomada desta praça, que controla o acesso ao centro da capital sitiada.